Raully Lucas diz que eficiência, tecnologia e gestão podem fazer do Brasil um país líder no mercado global de ovos

Raully Lucas diz que eficiência, tecnologia e gestão podem fazer do Brasil um país líder no mercado global de ovos

O palestrante mostrou, no Simpósio Ovos Brasil, que o ovo vive um momento único no mundo e que o Brasil está diante de uma oportunidade histórica.

Ovonews

agosto 11, 2026

0

No maior SIAVS da história, realizado nos dias 4, 5 e 6 de agosto em São Paulo (SP), o Simpósio Ovos Brasil reuniu especialistas que ajudaram a desenhar o futuro da postura comercial. Entre eles, um dos nomes que chamaram atenção foi o de Raully Lucas, gerente de contas da Agri Stats, pesquisador e especialista em análise de dados e benchmarking para empresas avícolas.

Sua palestra foi um mergulho profundo no cenário global da produção de ovos e um chamado à ação para que o Brasil assuma o protagonismo que já está ao seu alcance. Com uma apresentação repleta de dados, gráficos e comparações internacionais, Raully mostrou que o ovo vive um momento único no mundo e que o Brasil, com sua eficiência produtiva e competitividade, está diante de uma oportunidade histórica.

Raully iniciou sua fala com uma afirmação contundente: “O ovo nunca foi tão importante quanto agora”. E os números confirmam isso. Em 1990, o mundo produzia cerca de 35 milhões de toneladas de ovos. Em 2024, esse volume chegou a 94 milhões de toneladas, um crescimento de 167% em apenas 34 anos. Mais impressionante ainda é saber que não houve um único ano de retração na produção. A curva é ascendente, contínua e sólida, conforme demonstrou o palestrante.

O ovo se consolidou como uma das proteínas mais democráticas do planeta, pois é barato, saudável, tem excelente perfil nutricional, não enfrenta restrições culturais ou religiosas e pode ser produzido com alta eficiência. Essa combinação faz do ovo um alimento estratégico para o futuro da segurança alimentar global.

CHINA E MÉXICO PUXAM O CONSUMO E MOSTRAM O CAMINHO

Raully destacou o México e a China como dois países que se tornaram referências mundiais em consumo per capita. Ambos ultrapassaram a marca de 23 kg por pessoa ao ano, o equivalente a cerca de 350 a 400 ovos per capita.

O Brasil avançou muito — de 2,74 kg para 17,28 kg em poucas décadas — mas ainda tem espaço para crescer. E esse crescimento, segundo Raully, depende de dois fatores: o incentivo ao consumo interno, com campanhas como as do Instituto Ovos Brasil, e a expansão das exportações, aproveitando a competitividade brasileira.

Ao analisar a produção global, Raully apresentou um dado que surpreendeu muita gente no Simpósio: 60% dos ovos do mundo vêm da Ásia, especialmente da China, que, sozinha, responde por um terço da produção mundial.

A Europa aparece em segundo lugar, seguida pela América do Sul, onde o Brasil é o principal produtor. Mas o ponto mais relevante é o crescimento. A Ásia cresceu 44,8% nos últimos anos; a América do Sul cresceu 41%; a África cresceu 24,3%; e a Europa, já madura, cresceu pouco. Esses números mostram que o crescimento está concentrado em regiões emergentes e que o Brasil está exatamente no centro dessa expansão.

CHINA: O GIGANTE QUE REDEFINE O MERCADO GLOBAL

Raully dedicou parte da palestra no Simpósio para explicar o fenômeno chinês. Ele demonstrou que a China cresceu 376% em produção de ovos desde 1990 e que hoje produz mais de 31 milhões de toneladas.

Segundo ele, cinco fatores explicam esse avanço: população e mão de obra, embora já em processo de estagnação; crescimento econômico, que mudou o padrão alimentar; segurança alimentar, com subsídios e incentivos governamentais; genética e nutrição próprias, com linhagens desenvolvidas internamente; e industrialização e automação, com granjas altamente tecnificadas, uso de IA e monitoramento avançado.

E, então, Raully fez um alerta que, aliás, pode ser usado também para pensar o futuro das exportações para outras proteínas do Brasil: “Quando a população chinesa começar a cair e a produção continuar subindo, o excedente vai para o mercado externo. E isso pode mudar o jogo global.”

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS TÊM CRESCIMENTO ACELERADO, MAS AINDA TÍMIDO

O Brasil exporta apenas 1,5% da produção, mas o crescimento das exportações foi de 236% em 10 anos. Isso mostra que o país está aprendendo a ocupar espaço no mercado internacional. Hoje, os principais compradores do ovo brasileiro são os Emirados Árabes Unidos, os Estados Unidos, o Japão, o Chile, o Uruguai e o México.

Raully destacou o impacto da crise sanitária vivida nos Estados Unidos em 2025, ocasião em que os americanos aumentaram suas importações de ovos brasileiros de 2 mil para quase 20 mil toneladas em um único ano. “Isso mostra que o Brasil é visto como fornecedor confiável”, afirmou.

Um dos momentos mais comentados da palestra foi quando Raully apresentou o custo de produção de uma caixa de ovos no Brasil - R$113 – e nos Estados Unidos: R$164. A grande diferença demonstra que Brasil figura entre os países mais competitivos do mundo. E os motivos são a autossuficiência em milho e soja, a mão de obra mais acessível, o clima favorável, a eficiência produtiva e a estrutura industrial consolidada.

“Somos extremamente eficientes e isso precisa ser usado a nosso favor”, ressaltou o palestrante, destacando que o futuro da postura comercial está também na eficiência, tecnologia e gestão de dados, além da produtividade.

Três pilares são importantes nesse caminho, como a eficiência operacional (granjas que controlam custos sobrevivem aos ciclos de mercado); tecnologia e automação (a escassez de mão de obra já é realidade e vai piorar. Automação é inevitável) e gestão de dados e pessoas, ou seja, o setor precisa profissionalizar a administração, formar líderes e adotar ferramentas de análise. “Não basta produzir bem. É preciso saber onde estamos, onde podemos melhorar e como competir globalmente”, disse.

ÁFRICA: A NOVA FRONTEIRA DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS

Raully apresentou dados que mostram crescimento acelerado das importações de ovos em países africanos como Angola e Serra Leoa. Em março, A Hora do Ovo trouxe reportagem sobre a primeira leva de exportação de ovos feita por avicultores de Pernambuco para Serra Leoa, na África, país que Raully disse ser uma oportunidade estratégica para o Brasil, pois tem dependência de importação, crescimento populacional, baixa produção interna e pouca concorrência. “Se queremos diversificar mercados, a África é o caminho”, afirmou.

Raully encerrou sua palestra com uma visão otimista e desafiadora: “O Brasil tem todas as condições para ser protagonista global na produção e exportação de ovos. Temos eficiência, temos tecnologia, temos dados. Agora precisamos transformar isso em estratégia.”

Confira as demais palestras do Simpósio Ovos Brasil 2026:

Luis Rua aponta o Brasil como potência alimentar e o ovo com papel estratégico na segurança global

Gonzalo Moreno mostra como a Colômbia transformou o consumo de ovos em cultura nacional

Lucídio Almeida alerta setor de ovos sobre os riscos da falta de sucessão e governança nas granjas brasileiras

(A Hora do Ovo. Foto: Teresa Godoy)

tag: Raully Lucas , Simposio Ovos Brasil , SIAVS 2026 , ABPA , Instituto Ovos Brasil ,

0 Comentários