Cresce produção do setor de alimentação animal no Brasil
Crescimento deve ser de 2%, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal; no setor de postura, a produção de rações retrocedeu 4,5%.
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| Ariovaldo Zani, do Sindirações: empresas sentiram o peso da crise |
Como a maioria das entidades representativas do setor produtivo, o Sindirações, o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal, também apresentou os números do setor em 2015. Durante almoço realizado para associados, imprensa e convidados, no dia 11 de dezembro, em São Paulo, a entidade apresentou seu balanço para o período. Nesse balanço está a expectativa de que o setor encerre o ano de 2015 com um crescimento de 2%, revelando uma produção de 66,3 milhões de toneladas de ração. Em 2014 e 2013, os números da produção foram de 65 milhões e 62,6 milhões, respectivamente.
Embora tenha havido crescimento na produção, não foi fácil lidar com o aumento dos preços. Ariovaldo Zani, vice-presidente executivo do Sindirações, disse que a matéria prima utilizada na alimentação de aves, suínos e bovinos ficou mais cara no período por causa da desvalorização do real; isso pesou muito nos preços agropecuários e motivou impactos nas empresas. Foi o caso dos aditivos importados e indexados ao dólar e, por exemplo, do milho, cujo preço/tonelada na moeda brasileira avançou 24% de janeiro a novembro, enquanto o farelo de soja subiu 31%, apesar do contraste mundo afora, onde se observou flagrante alívio no custo global da alimentação animal, em boa medida, por causa dos recuos de 5% do preço em dólares do cereal e de 17% do farelo da oleaginosa.
Para o setor de postura, a produção de rações para galinhas somou 5,5 milhões de toneladas e retrocedeu 4,5%, em resposta à deterioração da capacidade de compra do consumidor e à diminuição do alojamento de pintainhas, que recuou mais de 5% até setembro.
O produtor de frangos de corte demandou 32,4 milhões de toneladas de rações em 2015, um avanço de 3,5%, enquanto o alojamento de pintainhos cresceu 4,7% até setembro. A capacidade de compra do consumidor doméstico diminuiu por causa da deterioração econômica, motivo pelo qual a carne de frango substituiu crescentemente a carne bovina. Já a desvalorização do real (moeda local) frente ao dólar e os episódios de influenza aviária em países exportadores, circunstancialmente favoreceram os embarques de carne de frango ao exterior que até novembro foram incrementadas em quase 7%.
Zani disse que “o real fraco e a volatilidade preocuparam bastante porque as empresas brasileiras sentiram o peso desse desnível, especialmente as que comercializam predominante ou exclusivamente seus produtos internamente, caso dos muitos produtores independentes de frangos, ovos, suínos, leite etc., ávidos por crédito e maior capital de giro, necessários ao pagamento daqueles insumos e da energia elétrica que subiu muito”, ressalta Ariovaldo Zani, vice-presidente executivo do Sindirações.
As companhias exportadoras, caso das agroindustriais e integradoras brasileiras, exportadoras de farelo de soja, milho e carnes, foram favorecidas pela desvalorização cambial que compensou parte da queda dos preços internacionais das diversas commodities, apesar do imediato impacto negativo, naquelas hipoteticamente alavancadas e sem o escudo do hedge.
A combinação do ritmo veloz da desvalorização e da acentuada volatilidade que assolaram o Brasil aumentou sobremaneira o custo, pressionou a inflação e deteriorou os balanços de muitas empresas com passivo comercial e/ou financeiro externos.
O vice-presidente do Sindirações acredita que “o iminente enxugamento monetário americano em 2016 pode pressionar ainda mais o real, estimular a inflação, fomentar maior taxa de juros, incrementar a elevada dívida brasileira, subsidiar a importação e aprofundar o déficit em conta corrente da produção local, muito embora o dólar valorizado venha favorecer a competitividade dos produtos agropecuários exportados pelo Brasil”.
