Ricardo Santin defende, na Conferência da FAO, regionalização e revisão de protocolos internacionais sobre influenza

Ricardo Santin defende, na Conferência da FAO, regionalização e revisão de protocolos internacionais sobre influenza

“A ciência e o conhecimento nos mostram que é possível tratar esse tema com mais justiça e racionalidade”, disse o executivo na abertura da Conferência Global sobre Influenza Aviária, em Foz do Iguaçu (PR).

Ovonews

setembro 09, 2025

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A exemplo do que considerou em sua palestra na Conferência FACTA 2025, em Campinas, no dia 2 de setembro, Ricardo Santin, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) voltou a frisar a importância de um novo olhar para o atual momento de propagação da influenza aviária no mundo e seus protocolos.

Durante a abertura da Conferência Global Combatendo a influenza aviária de alta patogenicidade juntos – Diálogo global entre ciência, política e setor privado, promovida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Foz do Iguaçu (PR), Santin voltou ao tema. Fez um pronunciamento firme sobre os impactos da influenza aviária no comércio internacional de proteína animal e defendeu uma mudança urgente nos protocolos sanitários que regem os embargos comerciais, especialmente aqueles que permanecem mesmo após o controle da doença no país exportador.

O executivo da ABPA – entidade que também apoia a Conferência Global da FAO no Brasil - reconheceu os avanços obtidos até aqui, mas argumentou que o princípio da precaução, embora justificável no passado, hoje precisa ser revisto à luz da ciência e da realidade atual. Segundo ele, a influenza aviária tornou-se uma doença presente em todos os continentes e o enfrentamento deve ser baseado no conceito de Saúde Única, integrando saúde animal, humana e ambiental. “Não estou criticando o que foi feito até aqui, mas é hora de evoluir. A ciência e o conhecimento nos mostram que é possível tratar esse tema com mais justiça e racionalidade.”

IMPACTOS COMERCIAIS E GEOPOLÍTICOS
Santin apontou incoerências nas decisões de embargo, citando o caso do Brasil, que permanece com exportações bloqueadas por países como China, Canadá e Europa, mesmo com casos isolados a centenas de quilômetros dos centros produtivos. Enquanto isso, países vizinhos com situações semelhantes ou mais próximas dos focos continuam exportando normalmente. “Será que é a geopolítica que garante a sanidade, ou é a biosseguridade, a transparência e a ciência?”

O presidente da ABPA também alertou para os efeitos desses embargos sobre a segurança alimentar global. Com mais de 700 milhões de pessoas em situação de fome, impedir o acesso à carne de frango — uma das proteínas mais acessíveis do mundo — é uma medida que prejudica principalmente os países mais pobres.

Santin reforçou que a carne exportada é processada e submetida a temperaturas que eliminam qualquer risco de transmissão do vírus. “As pessoas não comem carne crua, nem os animais. O risco é praticamente nulo quando há cocção adequada”, afirmou.

CHAMADO AO DIÁLOGO E À REGIONALIZAÇÃO
Por fim, Ricardo Santin celebrou a presença de representantes internacionais e reiterou o apoio da iniciativa privada às propostas da FAO e da OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) para a regionalização das medidas sanitárias. Ele defendeu um diálogo aberto, transparente e baseado em evidências científicas para que se construa um novo modelo de convivência com doenças endêmicas sem comprometer o comércio e a segurança alimentar.

“Não pode haver fronteiras para os alimentos. Precisamos proteger as aves para que elas se transformem em alimento e garantam segurança às nossas populações.”

(Foto: transmissão on line da Conferência Global da FAO no Brasil)

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