Líderes do setor brasileiro de produção animal analisaram os desafios atuais em evento da FACTA
No lançamento da 41ª Conferência FACTA WPSA-Brasil 2025, em Campinas (SP), falaram, além de Ariel Mendes, presidente da Facta, Ivan Lauandos, Mario Penz, Ariovaldo Zani, José Paulo Kors e Érico Pozzer.
A nova geração no comando da avicultura, a já crônica falta de mão de obra no setor, a necessária automação para suprir falhas e gerar produtividade e a posição estratégica do Brasil para suprir a alta demanda de insumos em países parceiros. Esses foram alguns dos pontos abordados pelos líderes presentes ao lançamento da 41ª. Conferência FACTA WPSA-Brasil 2025, evento realizado em Campinas (SP), no último dia 29 de abril.
O encontro foi realizado pela FACTA para apresentar a nova formatação da entidade e também o novo roteiro para a realização da Conferência, nos dias 2 e 3 de setembro, na Sociedade Hípica de Campinas (SP).
Ariel Mendes, presidente da Facta, recepcionou patrocinadores, convidados e imprensa especializada na Sociedade Hípica de Campinas, ocasião em que falou sobre as mudanças feitas no estatuto da FACTA e o novo formato da Conferência para este ano (veja a matéria FACTA lança a 41ª Conferência Facta-WPSA-Brasil 2025 com novidades no formato e na programação).
Convidados da Facta a compor a mesa do evento, Ivan Lauandos, Mario Penz, Ariovaldo Zani, José Paulo Kors e Érico Pozzer fizeram uma análise sintética sobre o atual momento da produção de proteína animal no Brasil e no mundo.
Mario Penz, diretor global da Cargill e uma das vozes mais experientes do setor produtivo, fez uma reflexão sobre a trajetória do Brasil, que passou de importador de alimentos para um grande produtor global, abastecendo um bilhão de pessoas. No entanto, ele alertou para os desafios futuros, especialmente a mudança geracional que, até 2030, colocará 75% do protagonismo dos negócios nas mãos dos millennials e da geração Z. “Isso vai mudar completamente o cenário da avicultura e da produção de alimentos”, afirmou.
A digitalização e o uso de inteligência artificial foram destacados como fatores essenciais para a previsibilidade da agricultura brasileira. Penz ressaltou que, para garantir a sustentabilidade do setor é preciso adotar algoritmos e modelos matemáticos em tempo real. Outro ponto importante debatido foi a biosseguridade. As crises sanitárias, como a morte de milhões de aves nos Estados Unidos, reforçam a necessidade de investimentos em segurança sanitária que, no passado, eram vistos como custos e agora são fundamentais para a estabilidade do setor.
A questão da mão de obra também foi um tema central nas discussões. A dificuldade em encontrar profissionais qualificados para atuar nas granjas e frigoríficos está acelerando a automação. José Paulo Kors, da APINCO (Associação dos Produtores de Pinto de Corte), destacou que a automação é inevitável e que os recursos disponíveis devem ser direcionados para investimentos estruturais em tecnologia e automação. “Sem isso, não conseguiremos acompanhar as mudanças do setor”, considerou.
Érico Pozzer, da APA, a Associação Paulista de Avicultura, enfatizou que a rentabilidade da produção é essencial. “Sem rentabilidade, não há investimentos e, sem investimentos, não há qualidade”, afirmou, alertando sobre a necessidade de equilibrar a produção com o retorno financeiro.
Pozzer também analisou a participação do ovo no mercado externo, considerando que o produto tem que se internacionalizar, saindo do “quase” 1% que representa na exportação brasileira do produto. “É um setor que pode crescer muito e atender a esses mercados internacionais exigentes, tanto quanto são exigentes com o frango. Vejo isso positivamente, no sentido também de que os grandes vão se especializar um pouco mais e olhar para a exportação e os pequenos vão atender o mercado interno, como já acontece no frango.”
Nesse cenário, conforme o presidente da APA, os produtores maiores terão mais tecnologia. “As grandes cooperativas e as grandes empresas focam no mercado externo, via a exportação, e os menores atendem mais ao mercado interno, com agilidade e presteza.”
Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações, apresentou uma visão otimista sobre as perspectivas do Brasil no comércio internacional. Destacou que o país está bem-posicionado para atender à crescente demanda de mercados como a China, especialmente para produtos como soja e milho.
Ao mesmo tempo, Zani alertou sobre a necessidade de o Brasil se preparar para o aumento da demanda por biocombustíveis e energia limpa. “Investidores internacionais estão de olho no Brasil, que se torna cada vez mais relevante no fornecimento de energia limpa e biocombustíveis”, observou. Também ressaltou a importância de o país continuar respeitando as regras do comércio internacional enquanto aproveita as novas oportunidades geradas por mudanças globais, como o avanço dos data centers e da inteligência artificial.
A 41ª Conferência Facta-WPSA-Brasil 2025 terá esses e outros temas em uma programação técnica abrangente e consistente. Confira a programação da Conferência no site da Facta: facta.org.br/
(A Hora do Ovo, com informações da assessoria de imprensa da Facta. Fotos: Teresa Godoy)
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