Agroceres Multimix lança agCare, divisão de especialidades que já nasce consolidada pela ciência
Evento de lançamento reuniu jornalistas do agro para apresentar a divisão que transforma especialidades em resultados no campo.
Quando abriu o encontro com jornalistas do agronegócio no dia 5 de março, no belo Hotel Histórico Dona Carolina, em Itatiba (SP), o diretor da Agroceres Multimix, Ricardo Ribeiral, fez questão de destacar o ponto central daquele momento tão especial para a empresa: o lançamento da agCare, a nova divisão de especialidades da Agroceres Multimix.
Mais do que um lançamento de marca, o evento oficializou um legado de mais de dez anos de investigação científica rigorosa e que agora está organizada na divisão agCare para prosseguir no suporte à produtividade e à rentabilidade do produtor de aves, suínos e bovinos. Durante uma tarde toda de palestras os jornalistas convidados puderam conhecer e entender como a ciência com a marca da empresa se transforma em produtos que enfrentam os desafios reais do campo.
A abertura dos trabalhos coube a Ricardo Ribeiral, que definiu o nascimento da agCare como a materialização de um compromisso inegociável com a verdade científica. "A agCare vem para consolidar e ampliar um trabalho que já corre no DNA da Agroceres Multimix há muito tempo. Nosso objetivo não é apenas oferecer aditivos, mas entregar produtos validados que passaram pelo crivo de experimentos exaustivos", afirmou Ribeiral. Ele enfatizou que a nova divisão é o braço que conecta a inovação tecnológica ao setor produtivo, garantindo que o avicultor receba produtos que, de fato, elevam o patamar de performance e retorno sobre o investimento.
A divisão agCare vem oficializar o trabalho que já é desenvolvido pelo time de especialistas da Agroceres Multimix envolvidos continuamente em pesquisas e experimentos para novos produtos que atendem a avicultura, a suinocultura e a bovinocultura brasileiras. A proposta da agCare, segundo o executivo, nasce de uma percepção estratégica dentro da Agroceres Multimix. Nos últimos anos, os investimentos realizados em produtos classificados como especialidades passaram a seguir uma lógica própria, distinta da nutrição animal convencional.
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“Percebemos que aquilo que estávamos desenvolvendo internamente seguia uma rota diferente dos produtos nutricionais tradicionais. Tínhamos investimentos, estrutura e direcionamento estratégico específicos. Era o momento de organizar isso em uma divisão própria”, explicou Ricardo Ribeiral.
O movimento, portanto, surge como evolução natural de um trabalho iniciado ainda em 2008, quando a empresa começou a desenvolver produtos que buscavam solucionar desafios produtivos específicos por meio de tecnologias aplicadas. Ribeiral recordou que os primeiros passos nesse caminho foram relativamente modestos. A empresa lançou inicialmente um produto aromático voltado ao mercado de leite e iniciou parcerias com empresas que trabalhavam com adsorventes. Aos poucos, no entanto, a abordagem evoluiu. “Ali nasceu a ideia de trabalhar a solução através de produtos”, explicou o diretor.
Com o avanço da genética animal, a intensificação dos sistemas produtivos e o surgimento de novas exigências sanitárias e regulatórias — especialmente a redução do uso de antibióticos como promotores de crescimento — o desenvolvimento de soluções nutricionais passou a exigir investimentos cada vez maiores em pesquisa. O foco deixou de ser apenas a formulação de blends para facilitar o processo produtivo das fábricas de ração e passou a buscar produtos capazes de atuar diretamente na saúde intestinal, na imunidade e no desempenho dos animais.
A partir daí as especialidades passaram a exigir um nível de conhecimento cada vez mais profundo. “Quando falamos em especialidades que precisam entregar resultado por si só, estamos chegando muito próximos de um produto quase farmacológico”, destacou.
O PAPEL DA CIÊNCIA E DA VALIDAÇÃO EXPERIMENTAL
Ao longo das apresentações do dia 5 de março, ficou claro que o coração da agCare bate no ritmo da ciência e de exigentes experimentos. Uma das mensagens mais fortes transmitidas nesse sentido foi apresentada por Tarley Araujo, gerente de Pesquisa e Saúde Animal da Agroceres Multimix. Ele explicou que o desenvolvimento de especialidades exige muito mais do que formulações inovadoras; depende de um sistema estruturado de validação científica.
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"Não trabalhamos com suposições. Nossa filosofia de mais de uma década é baseada em testes repetíveis e estatisticamente seguros. O que agora estamos fazendo é organizar essa inteligência em uma divisão específica, cujas pesquisas já ganham páginas em jornais científicos de respeito mundial", detalhou Tarley.
Nesse sentido, ele destacou que a Agroceres Multimix sempre se orientou pelo investimento em pesquisa e experimentação, mas que a agCare eleva esse rigor a um nível de excelência internacional.
Segundo o pesquisador, tudo começa com a observação do campo. “Tudo nasce de uma ‘dor’. É uma necessidade detectada pelos nossos técnicos que estão no dia a dia com os produtores no Brasil e na América Latina”, explicou. Quando um problema passa a se repetir em diferentes sistemas produtivos, ele é levado para discussão dentro da empresa em fóruns técnicos periódicos que reúnem especialistas das áreas técnica, comercial e de pesquisa. A partir daí inicia-se um processo estruturado que inclui revisão de literatura científica, busca por tecnologias em diferentes setores industriais — como farmacêutico, nutracêutico e biotecnológico — e desenvolvimento de formulações em bancada.
Segundo Tarley, a complexidade dessa ação estruturada está justamente na transição entre teoria e prática. “Não basta o ativo funcionar. Ele precisa ser estável, resistir às condições de transporte, misturar corretamente na ração e manter sua eficácia ao chegar ao animal”, destacou. Uma vez que a formulação inicial é definida, o produto segue para validação no Centro de Pesquisa da empresa. Ele reforçou que o desenvolvimento de um produto é um ciclo contínuo: "Novos desafios surgem na avicultura moderna — como a retirada de promotores de crescimento e o bem-estar animal — e isso exige o aperfeiçoamento constante das nossas soluções. O trabalho de validação nunca para."
EXPERIMENTAÇÃO RIGOROSA E PROTOCOLOS DE DESAFIO
O Centro de Pesquisa da Agroceres Multimix se tornou um dos pilares da estratégia científica da empresa. Ali são avaliados cerca de 70 mil animais por ano, incluindo aves, suínos e bovinos. Tarley destacou que os experimentos seguem critérios científicos rigorosos para garantir resultados confiáveis e publicáveis em periódicos internacionais. Entre os princípios fundamentais estão a repetição experimental, a distribuição aleatória dos tratamentos e o controle rigoroso do ambiente experimental. “Se uma variável externa interfere — por exemplo, falta de água em um setor do galpão — o experimento pode ser comprometido. Por isso o controle é extremamente rigoroso”, explicou.
Outro ponto destacado foi a adoção dos chamados protocolos de desafio experimental, criados para aproximar as condições de pesquisa da realidade do campo. Segundo Tarley, ambientes experimentais muito limpos podem mascarar os efeitos de determinadas soluções. “Ninguém toma dipirona se não tem dor de cabeça. O problema precisa existir para a ferramenta funcionar”, ressaltou. Dessa forma, os pesquisadores simulam situações, como disbiose intestinal, desafios sanitários ou estresse nutricional, para avaliar de forma mais realista o impacto das especialidades.
ENGENHARIA DE BLENDS: CIÊNCIA POR TRÁS DA FORMULAÇÃO
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Se a pesquisa valida a eficácia, a engenharia de formulação garante a entrega. Filipe Zanferari, gestor técnico de Formulação e Desenvolvimento da Agroceres Multimix, derrubou o mito de que fabricar uma especialidade é apenas "juntar ingredientes". “Trabalhamos com mais de 750 ingredientes disponíveis para formulação e precisamos entender profundamente a composição, funcionalidade e interação de cada um deles”, explicou.
Nesse processo, a ciência dos ingredientes é o foco e envolve desafios físicos e químicos complexos. Diferenças no tamanho de partículas, densidade ou formato dos ingredientes podem levar à segregação das misturas, comprometendo a homogeneidade da ração e, consequentemente, a dose efetivamente consumida pelos animais. Além disso, fatores como higroscopicidade (capacidade de atrair umidade), solubilidade e interações químicas entre ingredientes podem alterar a estabilidade do produto ao longo do tempo. Por essa razão, a agCare investiu em um laboratório equipado com técnicas analíticas avançadas, incluindo cromatografia e espectrometria, utilizadas para monitorar estabilidade, atividade dos ingredientes e vida útil das formulações.
Zanferari destacou que esse rigor analítico é indispensável para garantir previsibilidade de desempenho em condições reais de produção. “Especialidade não é fórmula mágica; é um sistema de desempenho previsível sobre variabilidade real”, resumiu. O profissional fez revelações importantes sobre as enzimas, como as proteases. A metodologia da agCare padroniza testes em condições fisiológicas reais, ignorando especificações de fornecedores que muitas vezes só funcionam em condições laboratoriais irreais para o animal. E destacou que o monitoramento de estabilidade térmica é crítico: algumas enzimas perdem até 58% de eficácia após o processo de peletização se não forem devidamente protegidas por engenharia de blend.
A mensagem final da agCare torna-se, assim, muito clara: uma especialidade é um sistema. Ao controlar a higroscopicidade, a reatividade química entre ativos e a estabilidade ao longo do tempo, a empresa entrega ao produtor um desempenho previsível. "Quando medimos e entendemos o detalhe, a variação deixa de ser um risco e se torna uma variável controlada", explicou Zanferari, completando: “É preciso garantir que a fórmula funcione na prática e não só na planilha de seus fornecedores”.
A LINHA PARA AVES E OS DESAFIOS DA AVICULTURA MODERNA
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Representando o braço técnico voltado à avicultura, Jessica Russo, coordenadora de Pesquisa de Aves, apresentou aos jornalistas a visão prática de como a ciência impacta a rotina de quem produz ovos. Ela ressaltou que a agCare não desenvolve produtos "de prateleira", mas, sim, especialidades que resolvem as dores específicas do campo. "Para o avicultor de postura, a eficiência é decidida nos detalhes. O nosso trabalho é garantir que cada produto entregue alta performance sob as condições reais das granjas brasileiras", explicou Jessica.
De acordo com a especialista, o ponto de partida sempre são as demandas do produtor levadas à empresa pelos técnicos de campo. Essas demandas são discutidas periodicamente em fóruns técnicos internos que avaliam se o problema identificado justifica o investimento em pesquisa e desenvolvimento. “Nosso objetivo não é responder a um problema pontual, mas criar soluções consistentes para o mercado”, destacou.
Um dos exemplos apresentados por Jessica foi o agProFito, um blend fitogênico composto por óleos essenciais, extratos vegetais e prebióticos que já é um sucesso em campo. O produto nasceu da necessidade global de reduzir o uso de antibióticos na produção animal, uma prática que já é aplicada nos Estados Unidos em metade de sua produção e, estima-se, em 20% da avicultura brasileira.
O desenvolvimento do agProFito levou cerca de três anos, incluindo um período inicial dedicado exclusivamente à seleção e padronização dos ingredientes ativos. Segundo Jessica, um dos grandes desafios foi garantir consistência na qualidade das matérias-primas. “Foram realizados estudos de mercado e metanálises para selecionar ingredientes estáveis. Alguns fornecedores foram descartados porque não entregavam a padronização prometida”, relatou.
Os testes do agProFito conduzidos no Centro de Pesquisa da Agroceres Multimix e em granjas comerciais demonstraram impactos relevantes tanto em frangos de corte quanto em poedeiras. No caso das aves de postura, os resultados incluíram melhorias na qualidade da casca e redução significativa de ovos trincados.
Os estudos indicaram também avanços na qualidade interna do ovo, com aumento do índice de gema e melhoria da Unidade Haugh, parâmetro utilizado para avaliar o frescor do ovo.
Os estudos também demonstraram maior estabilidade da gema durante o armazenamento, com menor oxidação lipídica e menor taxa de ruptura da membrana da gema após períodos prolongados de estocagem. "Nossa equipe busca a validação para que o produtor tenha a confiança de que aquela tecnologia vai performar no desafio de temperatura, no manejo e na sanidade do dia a dia dele", concluiu.
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No lançamento do agCare, em Itatiba (SP), também apresentou palestra aos jornalistas, com resultados expressivos e avanços na área da suinocultura, o profissional Felipe Alves, nutricionista de suínos. Ele falou sobre o avanço na redução da mortalidade de leitões com o produto Flavolac. Veja matéria no link No lançamento da agCare, em Itatiba (SP), um estudo sobre a ciência por trás da produtividade na suinocultura
UMA DIVISÃO QUE NASCE CONSOLIDADA
Uma mudança estratégica importante apresentada durante o encontro com os jornalistas, no dia 5 de março, foi a decisão da Agroceres Multimix de ampliar a divulgação científica dos resultados obtidos em suas pesquisas. Segundo o diretor Ricardo Ribeiral, no passado, grande parte das informações geradas permanecia restrita ao uso interno da empresa. Hoje, a estratégia é diferente.
A empresa passou a publicar estudos em respeitados periódicos científicos internacionais e a apresentar resultados em eventos acadêmicos de grande relevância. O objetivo, segundo o executivo, é demonstrar que as soluções desenvolvidas passam pelo mesmo rigor científico exigido pelas principais instituições de pesquisa do mundo.
Nos últimos anos, a Agroceres Multimix realizou investimentos superiores a R$80 milhões em pesquisa, laboratórios e estrutura tecnológica voltados ao desenvolvimento de especialidades e realizou 270 estudos e experimentos em parceria com universidades. Além disso, a companhia passou a contar com uma biofábrica, equipada com biorreatores destinados ao desenvolvimento de produtos biológicos, incluindo probióticos, simbióticos e eubióticos. Para Ribeiral, esse movimento reflete uma tendência global da nutrição animal. O setor caminha cada vez mais para soluções baseadas em biologia, microbiologia e ciência de ingredientes.
Além da infraestrutura de ponta, o lançamento da agCare evidenciou para os jornalistas a força do capital humano da Agroceres Multimix. A interlocução entre os profissionais da empresa, os nutricionistas de campo e o departamento de F&D (Formulação e Desenvolvimento) cria um fluxo de informação vital. O trabalho de campo identifica a "dor" e o laboratório desenvolve a “cura”. Esse propósito de desenvolvimento, focado no equilíbrio da saúde animal e no lucro do produtor é o que diferencia a divisão de especialidades da Agroceres Multimix.
O evento mostrou que a agCare nasce como uma "colmeia" de inteligência, onde estudos de estabilidade, mistura e biodisponibilidade são tão importantes quanto o resultado no peso da ave ou na cor da gema do ovo. Segundo Ricardo Ribeiral, o objetivo do encontro com os jornalistas foi exatamente mostrar essa complexidade por trás do desenvolvimento de especialidades e a estrutura que sustenta esse trabalho dentro da empresa. “Queremos mostrar que já temos uma estrutura posta, capaz de produzir aditivos de extrema qualidade, com eficácia e estabilidade”, afirmou o líder, destacando que a agCare nasce com portfólio consolidado e com produtos específicos para diferentes desafios produtivos.
"Encerramos esse lançamento com a certeza de que a ciência é o único caminho para uma nutrição animal sustentável e lucrativa. A agCare é uma divisão que nasce madura, experiente e pronta para ajudar o Brasil a continuar liderando a produção global de proteína animal", finalizou Ribeiral, sob aplausos da imprensa presente.
(A Hora do Ovo, em cobertura especial no lançamento da agCare, em Itatiba – SP. Fotos: Teresa Godoy)
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