Dimensionamento adequado é crucial para enfrentar o estresse térmico em aves

Dimensionamento adequado é crucial para enfrentar o estresse térmico em aves

O dimensionamento correto das instalações e o manejo adequado dos recursos disponíveis são cruciais para enfrentar esse desafio, aponta zootecnista da Cargill em artigo para A Hora do Ovo.

Com a palavra

outubro 01, 2025

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Um erro recorrente na avicultura é a utilização inadequada do resfriamento evaporativo. Embora eficiente para reduzir a temperatura dentro dos aviários, esse sistema frequentemente é manejado de forma equivocada, elevando a umidade relativa do ar e prejudicando o principal mecanismo de troca de calor das aves: a ofegação. Quando isso acontece, o efeito é contrário ao desejado: em vez de amenizar, o estresse térmico se intensifica, trazendo perdas produtivas e até aumento da mortalidade.

Essa realidade mostra que, mais do que investir em equipamentos modernos, o grande diferencial está no dimensionamento correto das instalações e no manejo adequado dos recursos disponíveis. Ventilação bem projetada, isolamento térmico eficiente e a escolha criteriosa de materiais construtivos formam a base para garantir um ambiente estável e seguro para as aves. 

Quando aplicados dentro dos parâmetros técnicos, exaustores e ventiladores contribuem de maneira decisiva ao retirar calor e promover a circulação de ar. O resfriamento evaporativo, por sua vez, pode ser extremamente eficaz, desde que utilizado dentro dos limites de umidade relativa adequados, que fica na faixa de 80% a 85%. Para cada grau de redução na temperatura, são adicionados cerca de 5 pontos percentuais na umidade relativa do ar quando esse sistema é utilizado. Quando a temperatura e a umidade relativa estão elevadas ao mesmo tempo, a troca de calor por meio do ofego cai vertiginosamente, podendo chegar a ser nula. 

Na prática, nutrição e manejo de qualidade são indispensáveis, mas só irão expressar todo o seu potencial quando apoiados em um dimensionamento assertivo dos aviários. Esse é o fator estrutural que sustenta as demais estratégias e possibilita maior segurança ao produtor e eficiência a toda a cadeia. 

O futuro competitivo da avicultura brasileira depende cada vez mais da capacidade de conciliar tecnologia, bem-estar animal e sustentabilidade. E, nesse cenário, acreditar que dimensionamento é apenas um detalhe pode custar caro. Trata-se, na verdade, do alicerce que garante a produtividade e a longevidade do setor.

(Imagem do destaque: criada por IA/Freepik)
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HENRIQUE ROSA BALTAZAR DE SOUZA Autor

Zootecnista e consultor da Cargill Nutrição Animal

tag: estresse termico , Henrique Rosa Baltazar de Souza , Cargill ,

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