A ambiência estratégica na postura comercial é fundamento para a produtividade e o bem-estar animal
Henrique Rosa Baltazar de Souza, da Cargill, destaca o impacto positivo da ambiência também para a sustentabilidade do sistema.
A ambiência representa um dos principais determinantes de desempenho em granjas de postura comercial, impactando diretamente a produtividade, o bem-estar animal e a sustentabilidade do sistema. Trata-se de um conjunto integrado de fatores físicos, térmicos, aéreos e de manejo, ajustados dinamicamente ao longo do ciclo das aves, indo além do simples controle de temperatura e ventilação.
Em cenários de margens apertadas e alta exigência por qualidade e regularidade, desvios na ambiência geram queda de postura, piora na conversão alimentar e aumento de perdas, comprometendo a competitividade do produtor.
A construção de uma boa ambiência começa pelo dimensionamento correto do aviário, incluindo isolamento térmico, orientação do galpão, sistemas de ventilação, exaustão e resfriamento evaporativo, quando aplicável. Esses elementos estruturais combinam-se com controle de temperatura, umidade relativa, velocidade do ar e renovação adequada, respeitando as necessidades fisiológicas das poedeiras em cada fase.
O manejo diário é essencial, com distribuição uniforme das aves, checagem de equipamentos, ajustes de cortinas ou painéis, observação de comportamento e intervenções rápidas em estresse térmico ou má qualidade do ar.
Poedeiras são sensíveis ao estresse térmico por calor ou frio, o que altera consumo de ração, água e eficiência metabólica, refletindo na postura e qualidade dos ovos. Em calor excessivo, há ofegação, redução de ingestão e queda de produção; em frio, a energia é desviada da oviposição para a termorregulação. Ventilação, aquecimento e umidade adequados mantêm as aves na zona de conforto, otimizando nutrientes para a produção e a saúde intestinal.
A qualidade do ar é crítica, especialmente em alta densidade, em que a amônia, o dióxido de carbono e a poeira afetam o respiratório, o desempenho e a sanidade. Ventilação dimensionada e manejo de cama/dejetos garantem renovação eficiente, protegendo as aves e os trabalhadores. A ambiência integra-se à nutrição, pois estresse reduz eficiência de rações; conforto melhora a conversão, o peso e a casca do ovo, atendendo mercados exigentes e protocolos de bem-estar.
Tecnologias como sensores e automação monitoram variáveis, consumo e desempenho, permitindo ajustes precisos contra riscos climáticos ou falhas. O foco está em transformar dados em decisões, com assistência técnica integrada para diagnósticos, treinamentos e planos personalizados. Assim, a ambiência estratégica eleva a produtividade, o bem-estar e a sustentabilidade, diferenciando produtores no mercado de ovos.
(Imagem do destaque: Freepik)
HENRIQUE ROSA BALTAZAR DE SOUZA Autor
Zootecnista e consultor da Cargill Nutrição Animal
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