Festa do Ovo 2025 é cancelada: prioridade é proteger a avicultura da influenza aviária, ressaltam os organizadores
Decisão foi comunicada pela Prefeitura de Bastos, Sindicato Rural e Acenba, os três elos da organização do mais tradicional evento de postura do Brasil.
Em decisão unânime, organizadores da Festa do Ovo de Bastos anunciaram, neste dia 16 de julho, o cancelamento do mais tradicional evento de postura do país, que aconteceria entre os dias 27 e 31 de agosto. A data, inclusive, já havia sido deslocada do mês de julho, exatamente pela preocupação com a sanidade avícola do Estado.
O anúncio do cancelamento da 64ª edição do evento pegou a todos de surpresa e foi feito em entrevista coletiva em conjunto pela Prefeitura de Bastos, Sindicato Rural e Acenba (Associação Cultural Nikkey de Bastos). Segundo os organizadores, trata-se de uma medida preventiva, corajosa e absolutamente necessária para proteger a avicultura paulista.
O alerta se acendeu com a confirmação de novos focos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência na capital e em aves ornamentais no município de Sorocaba (veja matéria Influenza Aviária - Defesa Agropecuária realiza ações sanitárias diante do primeiro caso em criação de subsistência).
Até então, os casos detectados estavam restritos a aves silvestres. Mas a aproximação da doença de centros de produção avícola intensiva elevou o nível de preocupação dos produtores, especialmente os de Bastos, que têm concentrados em seu entorno milhões de aves em sistema comercial.
A contaminação por IAPP pode ser devastadora para a economia local e regional, que tem na avicultura de postura seu principal pilar econômico. Por isso, os organizadores da Festa do Ovo decidiram suspender todos os eventos associados à festa: a Jornada Técnica - Conferência da Capital do Ovo, o Concurso Estadual de Qualidade de Ovos, o Empodera Mulheres do Agro, a feira agroavícola, os shows populares e demais atrações do Recinto Kisuke Watanabe.
Na coletiva para informar a decisão à imprensa e à comunidade, o prefeito de Bastos, Kleber Lopes, falou da frustração em não poder realizar a Festa do Ovo 2025, mas que essa foi uma decisão necessária e responsável para proteger a economia local e regional e a saúde da população e dos trabalhadores em granjas. Isso porque a Festa do Ovo é um grande atrativo para a comunidade em geral, inclusive das cidades vizinhas, que visitam Bastos nesse período para assistir aos shows e participar dos parques de diversão e restaurantes diversos. A feira avícola, por sua vez, recebe a visita de avicultores e profissionais da cadeia avícola de todo o país, em busca das novidades apresentadas na Feira de Exposições, como equipamentos, vacinas, serviços e nutrição animal.
RISCO DAS AGLOMERAÇÕES
Reunir tantas pessoas nesse momento, ainda que sob acompanhamento e controle da Defesa Agropecuária no Estado de São Paulo, é temerário, segundo os organizadores, já que o Brasil ainda não tem a liberação de vacinas para o uso preventivo da doença. “Poderia haver um efeito cascata num caso de entrada do vírus em Bastos e isso nos levaria a um provável colapso financeiro”, alertou o prefeito Kleber Lopes, lembrando que Bastos depende economicamente da produção avícola, que também é muito importante para municípios vizinhos.
A avicultora Cristina Nagano, que preside o Sindicato Rural de Bastos, fez questão de salientar que os casos detectados no estado, e já solucionados, não chegaram às aves comerciais, que seguem livres de influenza aviária. Ela explicou que o esforço de Bastos é todo para que a biosseguridade e biossegurança das milhões de aves poedeiras da região do Bolsão de Bastos – 16 municípios - sejam mantidas.
“Os produtores tomaram essa decisão – acompanhados pela Acenba e
Prefeitura de Bastos - para a proteção de nossos plantéis, das famílias de nossa região e para apoiar as ações que têm feito o Estado de São Paulo e o país livre da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade. Mas é um pesar para todos nós ter que cancelar a Festa do Ovo deste ano”, lamentou Cristina Nagano.
Ela destacou que “o Brasil tem sido muito bem-sucedido em biosseguridade e se mantém como um exemplo em preservação da segurança do consumo de ovos, da saúde de seus plantéis (poedeiras e frangos) e do fortalecimento econômico da avicultura como um todo, e assim precisamos nos manter.”
A presidente do Sindicato Rural de Bastos reforçou que os casos confirmados até agora envolvem apenas aves não comerciais, e que os plantéis industriais permanecem 100% saudáveis e livres da doença. No entanto, o risco de disseminação viral em eventos de grande público poderia comprometer anos de trabalho em biosseguridade.
Mesmo lamentando que a medida seja necessária, ela demonstrou em sua fala que é preciso agir com a firmeza de quem sabe o que está em jogo. “Estamos protegendo não só as granjas, mas as famílias e o futuro da avicultura brasileira”, afirmou”
Bastos é referência nacional em tecnologia, produtividade e sanidade na produção de ovos. Preservar esse status é prioridade. A cidade segue colaborando com as autoridades estaduais e federais para garantir que o Brasil continue livre da IAAP, com segurança alimentar e confiança para consumidores e exportadores.
Acompanhe os canais oficiais para mais informações:
Sindicato Rural de Bastos: @sindicatoruralbastos
Prefeitura de Bastos: @pref_bts
(A HORA DO OVO. Fotos: Elenita Monteiro)
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