Um novo olhar sobre a avicultura de postura brasileira

Um novo olhar sobre a avicultura de postura brasileira

As mudanças e os desafios vividos pela avicultura de postura brasileira estão nesta análise da equipe DSM; um panorama da última década e a importância da parceria para o sucesso de todos.

Ovonews

setembro 01, 2017

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O mundo do ovo mudou muito nos últimos anos: evolução e desafios integram a postura brasileira

 

Na última década, a avicultura de postura deu saltos rumo à profissionalização e, agora, com o mercado interno consolidado, o setor encontra vários desafios. O impulso se deu muito pelo aumento no consumo per capita de ovos, que saltou de 148 em 2010 para 191 ovos em 2015, tendência que se tornou realidade muito pelo trabalho forte das associações estaduais de produtores com o marketing do ovo.

A desmitificação dos problemas de saúde relacionados à ingestão de ovos e a indicação de aumento de consumo pela classe médica e pelas nutricionistas também tem sido de extrema importância para atingir o patamar de consumo de 2015. Atrelado ao aumento do consumo houve um incremento de tecnologia muito grande na última década, o que auxiliou no ganho maior de eficiência produtiva. Exemplo disso é a evolução genética das aves que poderão chegar a produzir até 500 ovos por ave alojada em um único ciclo de 100 semanas.

Para o futuro, há a perspectiva de um aumento do consumo e a oportunidade de um incremento nas exportações, que hoje representam apenas 1% do total de ovos produzidos. Entretanto, para se alcançar esse mercado a cadeia de ovos brasileira deve se adequar às exigências internacionais de segurança alimentar, bem-estar animal e status sanitário dos planteis.

Outro ponto que pode ser explorado é o mercado de ovoprodutos. Hoje, segundo relatório anual da ABPA, somente 8% dos ovos são industrializados; essa mudança de hábito de consumo - que hoje tem base no ovo in natura - depende muito do trabalho de comunicação junto ao consumidor final.

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Diretores da DSM traçam suas percepções sobre os rumos da avicultura de postura brasileira

 

NOVAS PERCEPÇÕES

Nos últimos anos, o consumidor vem mudando sua percepção, aumentando sua preocupação com o bem-estar animal, a segurança alimentar e os alimentos funcionais. O produtor precisa se preparar hoje para entregar ao mercado amanhã um produto que atenda a essas expectativas. O alojamento de aves fora de gaiola e ovos enriquecidos devem estar no radar das empresas da cadeia produtiva de ovos.

Segundo Alexandre Sechinato,  gerente regional de produtos ANH América Latina – Nutrição Mineral da DSM, "atualmente toda a cadeia de ovos enfrenta diversos desafios, que devem ser superados para que se consiga atingir o objetivo do Brasil ser um grande produtor de ovos". Para Sechinato, no âmbito da nutrição, um desafio está relacionado à rentabilidade do negócio, pois os custos dos ingredientes das dietas podem comprometer a margem de ganho do produtor. "Os preços das dietas deveriam estar atrelados ao preço de venda dos ovos, mas o preço de venda depende de condições mercadológicas de demanda e oferta", indica Sechinato. "Por isso, o produtor deve adequar as dietas das aves para que possa extrair o máximo dos nutrientes de cada ingrediente. Uma das alternativas é o uso de enzimas, que ajudam a disponibilizar os nutrientes para as aves, e os eubióticos, que auxiliam na manutenção da saúde e integridade intestinal, fundamental para uma melhor absorção desses nutrientes."

NOVOS PARÂMETROS

Otavio Rech, gerente de Produtos Poedeiras Latinoamerica DSM, explica que, com ciclos de produção mais longos, outro desafio da postura está relacionado à dieta e à manutenção da qualidade de ovos, principalmente em aves acima de 60 semanas. "O produtor deve se preocupar com a formação e manutenção esquelética da aves desde o primeiro dia, pois ela é fundamental para uma boa formação de casca dos ovos no final do ciclo de produção", alerta Rech.

Na questão manejo, além das discussões sobre sistemas dos aviários, há a preocupação com o conforto térmico das aves. "Como o Brasil é um país continental, temos grandes variações de clima. E, também, dentro de microrregiões existem situações de grande amplitude térmica e condições de muito calor que podem afetar o consumo de alimento pelas aves ou até mesmo levar ao aumento de mortalidade por stress calórico. Devido a esses fatores, hoje alguns produtores já vêm implantando sistemas de produção climatizados", analisa Rech.

Sechinato também destaca que o trabalho realizado hoje para garantir o status sanitário dos planteis do país impacta diretamente nos produtores, pois muitas adequações devem ser feitas para elevar o nível de bioseguridade das granjas. "E a bioseguridade é prioridade para o país, tendo em vista a importância do negócio de aves no agronegócio", diz. A equipe DSM lembra ainda as mudanças no sistema produtivo, já que os avicultores estão migrando do sistema de empresas familiares para as agroindústrias, onde há maior complexidade e um grande desafio para todos.

A DSM EM PARCERIA COM O AVICULTOR

"Além de ser importante para o negócio da DSM, o setor de produção de ovos também está em linha com nossa missão de criar soluções que ajudem a nutrir a população, pois sabemos que o ovo é um alimento nobre, rico em nutrientes que pode ajudar a vencer o desafio da desnutrição em diversas regiões do globo". Quem analisa é Rodolfo Pereyra, diretor Negócios ANH Brasil, Paraguai & Uruguai na DSM. Segundo Pereyra, a intenção da empresa é ir sempre além da tradicional parceria que mantém com o avicultor, oferecendo um portifólio de produtos globais aplicados a soluções locais inovadoras.

"Queremos estar sempre ao lado do produtor de ovos, auxiliando-o na melhoria da sua produtividade, qualidade, rentabilidade e sustentabilidade". E cita uma linha de produtos -conceito que deverá ser lançada em breve, cujo objetivo é oferecer recomendações para a nutrição da galinha de ciclo único de 100 semanas, considerando condições modernas de alojamento, ótimo desempenho de produção e qualidade, e exigências de bem-estar, sustentabilidade e saúde.

"Nossos conceitos nutricionais foram desenhados para atender aos pontos-chaves da produção, para que as aves alcancem todo o seu potencial genético. Eles oferecem ao produtor confiabilidade, segurança e tranquilidade", argumenta José Francisco Miranda, gerente de marketing para a América Latina, DSM Produtos Nutricionais S.A. Segundo ele, "os pontos-chaves para o desenvolvimento do produto-conceito surgiram dos desafios que os produtores enfrentam no dia a dia, e entre eles podemos destacar: bom desenvolvimento do sistema ósseo, boa formação e deposição muscular, peso e uniformidade, sistema imune adequado, saúde intestinal, qualidade de ovos, sustentabilidade da cadeia de ovos, dietas livres de agentes promotores de crescimento e melhor aproveitamento de ingredientes da dieta."

Além de um produto-conceito, a DSM desenvolve ferramentas que auxiliam os produtores na geração e gestão de dados das granjas, como o Digital Yolkfan™ (DYF), lançado na IPPE 2017 em Atlanta (EUA). Trata-se de uma ferramenta portátil de extrema acurácia e que pode medir de forma eficiente a coloração da gema dos ovos, além de possibilitar o armazenamento e monitoramento dos dados obtidos. Também em Atlanta foi lançado o livro Manual Ilustrado do Ovo com informações relevantes sobre ovos.

Miranda adianta que a DSM está preparando uma plataforma na web, o Eggsys, que possibilitará ao produtor a gestão dos dados gerados pela Digital Egg Tester 6000 (DET 6000), a máquina da empresa Nabel que avalia diversos parâmetros do ovo, para que o produtor possa comparar o status da qualidade do seu ovo com a média encontrada em sua região ou no país e, assim, manter informações para uma tomada de decisão assertiva em seu negócio.

"Também seguimos com as ferramentas tradicionais, como o Yolkfan™, a guia de pigmentação de ovos e a guia de suplementação ótima de vitaminas (OVN)", informa o executivo. "Os produtores podem contar com a assessoria técnica da DSM que, além da equipe que está no Brasil, possui um time de especialistas globais em contato frequente, discutindo, dividindo experiências e buscando soluções para desafios enfrentados pelos produtores", complementa Rodoldo Pereyra.

"O mercado pode esperar que a DSM está, sim, cada vez mais presente no segmento de ovos, não só com soluções que auxiliem o produtor mas, também, com ações que já vêm sendo feitas junto às associações de produtores para promover o ovo, fomentando o aumento do consumo pelo brasileiro", conclui José Francisco Miranda.

(Artigo publicado na REVISTA A HORA DO OVO - Edição 84)

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