Setor avícola da América do Sul debate no Brasil a modernização da ALA
Representantes da Bolívia, Chile, Paraguai, Argentina, Equador, Peru, Uruguai e Brasil participaram de encontro realizado na ABPA, na primeira semana de agosto.
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| Um dos encontros realizados na ABPA: debate sobre o fortalecimento da avicultura sulamericana |
Entidades avícolas da América do Sul estiveram reunidas na primeira semana de agosto na sede da ABPA, a Associação Brasileira de Proteína Animal, para uma série de encontros na capital São Paulo. Também presentes ao evento, representantes do governo brasileiro que, em uníssono com as entidades avícolas, pregam a unificação de esforços pelo fortalecimento da avicultura latino-americana.
Uma nova proposta de atuação institucional para a Associação Latinoamericana de Avicultura (ALA) esteve na pauta dos encontros realizados na sede da ABPA com representantes dos países-membros da regional Sul da Associação Latinoamericana de Avicultura (ALA).
Na ocasião, o presidente-executivo da ABPA, Francisco Turra, detalhou o modelo de trabalho da entidade brasileira, tida como referência internacional de gestão para o setor produtivo. Além da atuação representativa, foram detalhadas informações sobre processos internos, produtos gerados pelos setores da organização, estratégias de atuação entre os stakeholders e os órgãos de imprensa, promoção e marketing internacional, entre outros.
Na mesma linha, o vice-presidente de mercados da ABPA, Ricardo Santin, apresentou uma análise da atuação do International Poultry Council (IPC). Santin, que também é vice-presidente do IPC, apontou a visão associativa da organização, que é a representação mundial do setor, reunindo todos os grandes produtores globais.
“Avançamos na consolidação de uma proposta para ser analisada por todo o corpo associativo da ALA. Queremos avançar com uma entidade continental moderna, forte, sólida em seu relacionamento com as organizações internacionais, aprimorando a atuação institucional em prol de temas de interesse de todos, como é o caso da prevenção e controle de Influenza Aviária”, ressalta Turra.
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| Eumar Novacki, com Ariel Mendes e Francisco Turra |
A programação do encontro contou, ainda, com diversas apresentações de autoridades do governo brasileiro. Um dos destaques veio de Eumar Novacki, secretário executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que tratou da importância da transparência e da desburocratização do trabalho ministerial, por meio de programas como o Agromais, cujo objetivo é facilitar as relações entre os setores público e privado.
Novacki falou ainda sobre a importância do regime de compliance em pauta no MAPA após os problemas enfrentados na Operação Carne Fraca. Segundo ele, por conta da operação, o ministério precisou olhar para dentro de suas próprias estruturas, buscando cada vez mais transparência. Ressaltou que esse é um compromisso que deve ser assumido por todos os órgãos e empresas dos países latinoamericanos. “É importante que, como o Brasil, toda a América Latina olhe para suas estruturas e garantam a preservação da responsabilidade em todas as suas frentes. Aqueles que não seguirem esse caminho estão fadados a desaparecer”, analisou.
O encontro contou, ainda, com a apresentação de Guilherme Marques, presidente da Comissão Regional da OIE para as Américas, que também é diretor de Saúde Animal do MAPA. Marques detalhou o funcionamento da comissão da organização internacional, enfatizando o papel do Comitê Veterinário Permanente (CVP), com a participação de delegados dos ministérios da agricultura de países do Mercosul. Criado no início dos anos 2000, o CVP é parte do Conselho Agropecuário do Sul (CAS), composto pelos ministros da agricultura do Cone Sul.
O comércio internacional
Também representando o MAPA no evento, o auditor fiscal federal agropecuário, Leandro Feijó, tratou das barreiras não-tarifárias que impactam o comércio internacional e como o Brasil está enfrentando esse tema. Conforme Feijó, o Brasil tem atuado de forma proativa sobre esse tema, utilizando todos os canais de discussão possíveis, não mais aceitando passivamente imposições impostas nos negócios internacionais. Atualmente, o Brasil conta com mais de 800 produtos em negociação de âmbito governamental com 120 países, seja para importação ou exportação.
Ressaltando que essa é uma questão de impacto regional, Feijó tratou da importância da atuação conjunta dos países vizinhos em questões de comércio internacional. Feijó informou, ainda, que deverá ser publicada, em breve, a criação de um grupo de trabalho sob coordenação do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), que instalará um fórum de discussão entre os países sul-americanos para definição de pautas e formas de atuação proativa.
Tratando do regime produtivo de integração, o diretor de relações institucionais da ALA, Ariel Antônio Mendes, apresentou os avanços e conquistas da avicultura brasileira, com a instituição da Lei de Integração, um marco regulatório que deu maior segurança jurídica às relações entre produtores avícolas e agroindústrias integradoras.
Mendes ressaltou os passos até a constituição da legislação, o funcionamento dos organismos contemplados pelo sistema e as vantagens da instituição por lei de regras claras para a integração, que é um dos alicerces do sistema produtivo brasileiro.
Na última apresentação da programação, Bruno Caputi, coordenador de Assuntos Regulatórios e de Qualidade do Sindirações, tratou dos desafios enfrentados pelo Brasil sobre a resistência antimicrobiana no setor animal. Focando em questões regulatórias, Caputi enfatizou que esse é um tema sob acompanhamento da Organização Mundial de Saúde Animal. No Brasil, o tema tem sido tratado sob a perspectiva da prevenção, com treinamentos e cursos de orientação de técnicos, legislações e outros mecanismo para a prevenção. No Brasil, o MAPA, juntamente com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), está formatando um programa sobre essa questão. Caputi alertou que esse tema, que já há vários anos tem sido tratado no Brasil, é uma realidade global que deverá impactar todos os países produtores.

