Pesquisadora Edna Clara Tucci tem seu nome em novo gênero de ácaro

Pesquisadora Edna Clara Tucci tem seu nome em novo gênero de ácaro

Tuccioglyphus foi identificado no Rio Grande do Sul; o nome escolhido é uma homenagem à pesquisadora que é referência brasileira em sanidade avícola.

Ovonews

julho 29, 2017

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Edna Clara Tucci: homenagem pela referência

Edna Clara Tucci, pesquisadora do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, teve seu nome utilizado para descrever um novo gênero de ácaro associado a granjas de postura, o Tuccioglyphus. O novo gênero foi descoberto por um grupo de pesquisadores do Laboratório de Acarologia do Centro Universitário Univates, do Rio Grande do Sul, da University of Michigan, dos Estados Unidos, e da Tyumen State University, da Rússia. O novo gênero foi descrito em um artigo publicado na revista científica Zootaxa, em março de 2017. A descoberta do novo ácaro ocorreu a partir de coletas em granja de postura no Rio Grande do Sul.

O anúncio dessa novidade foi feito no boletim da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo em matéria publicada pela assessoria de imprensa do Instituto Biológico. Confira:

A pesquisadora do IB disse que o papel do Tuccioglyphus na fauna de artrópodes encontrados no ambiente avícola ainda precisa ser estudado. ‘Sabemos que ele não é um ácaro hematófago, ou seja, que não suga o sangue das aves. Ele está associado ao ambiente da granja, mas sua função é ainda desconhecida’, explica Edna.

De acordo com a pesquisadora, a identificação das espécies que habitam um determinado ambiente é o primeiro passo para qualquer tipo de pesquisa, que servirá de base para estudos de biologia, ecologia e controle. "Os estudos taxonômicos são de extrema importância para a classificação e para a correta identificação desses espécimes”, afirma.

Existe uma grande diversidade de espécies de ácaros em uma granja, segundo Edna. Alguns deles são benéficos e atuam como inimigos naturais das moscas, alimentando-se dos ovos delas e desempenhando um importante papel de controle desses insetos nas granjas. “Outras espécies de ácaros encontrados são aqueles associados à poeira, muito comuns em ambiente domiciliar. Existem também os ácaros hematófagos que são parasitas obrigatórios das aves, que se alimentam do sangue desses hospedeiros para o desenvolvimento do seu ciclo biológico”, diz.

O Instituto Biológico é referência brasileira em pesquisas com sanidade em áreas de postura, por meio do Laboratório de Parasitologia e da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Bastos. O Instituto tem atuação próxima ao produtor rural e técnicos de campo e promove cursos, palestras, encontros, atendimentos, visitas técnicas e realiza diagnósticos e orientação de controle. “Não existem centros de pesquisa que atuem desta forma ampla, no que se refere às pragas avícolas”, afirma Edna.

A carreira

O nome de Edna Tucci foi escolhido, segundo os pesquisadores, em reconhecimento a suas pesquisas com artrópodes parasitas que atacam galinhas em granjas de postura do Brasil. “Quando desenvolvemos uma pesquisa sempre buscamos contribuir para o conhecimento científico com trabalhos de relevância e resultados que pudessem ser aplicados pelos produtores na avicultura de postura. O reconhecimento dos pesquisadores nacionais e internacionais, por meio dessa homenagem, foi muito gratificante”, comemora Edna.

Edna é pesquisadora do Instituto Biológico há 32 anos, local em que desenvolve pesquisas relacionadas à biologia, ecologia e controle de pragas avícolas. A pesquisadora possui graduação em Biomedicina pela Universidade de Santo Amaro, Mestrado em Parasitologia pela Universidade de São Paulo (USP) e Doutorado no mesmo tema pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

A pesquisadora comenta que iniciou seus trabalhos na área há 30 anos, devido a ausência de pesquisas relacionadas ao setor, com grande importância econômica para o agronegócio. Na década de 50, teve início um processo de modernização da avicultura de postura, com a implantação dos sistemas de confinamento, com maior produtividade e custos reduzidos. “Se por um lado isso trouxe vantagens econômicas aos produtores, por outro possibilitou a instalação de inúmeros artrópodes, alguns deles parasitas, causadores de danos às aves”, afirma.

Ao longo de sua carreira como pesquisadora do IB, Edna publicou 20 artigos científicos, um livro e escreveu três capítulos de livros. Teve 74 resumos publicados em anais de congresso e 89 trabalhos publicados.

Em 2012, foi agraciada com o Prêmio de Pesquisa Científica na área de Sanidade, oferecido pela Associação Paulista de Avicultura.

(A Hora do Ovo, com reportagem e foto da assessoria de imprensa do Instituto Biológico)

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