Influenza aviária é tema no Qualificaves durante a V Semana Tecnológica
Os perigos da doença para a cadeia avícola brasileira e a importância de um laboratório específico para análise das aves, segundo o especialista Paulo César Martins.
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| Palestra de Paulo César Martins, da Biocamp: alerta para os riscos e a prevenção da influenza aviária |
No terceiro dia da Semana Tecnológica do Agronegócio, realizada em Santa Teresa até o dia 20 de agosto, no Espírito Santo, o médico veterinário Paulo César Martins, diretor técnico da Biocamp Laboratórios, fala aos avicultores presentes sobre os riscos e as preocupações com a influenza aviária. O ideal, segundo Martins, seria a análise frequente dos lotes de abate de aves, feita em laboratórios específicos.
Martins explicou que a origem da influenza são as aves selvagens migratórias, consideradas reservatórios do vírus na natureza, e o Brasil recebe essas aves anualmente, por isso, há a preocupação real. “Já houve surtos na Ásia, Europa e bem perto de nós, aqui no Chile. A influenza aviária é hoje um temor dos avicultores, e como é uma doença silenciosa, o ideal é sempre fazer exames quando o lote de aves vai para o abate. Só assim o produtor saberá se sua granja segue segura”, disse.
No Brasil há pouquíssimos laboratórios especializados e os produtores capixabas não têm acesso fácil a exames que identificam a influenza. “Para se ter uma noção, a maioria dos lotes de abate nos Estados Unidos faz exames patológicos. Em 2015, o país realizou dois milhões de exames, enquanto no Brasil foram feitos apenas 13 mil. Isso é preocupante, pois o vírus pode estar se desenvolvendo e a gente não sabe”, alertou o especialista no assunto, que por 40 anos trabalhou com manejo e patologia de aves no Brasil e América Latina.
O alerta de Paulo César Martins teve como objetivo sugerir que os avicultores comecem a analisar a importância de o Espírito Santo possuir um laboratório credenciado para análises desse tipo, visto que Santa Maria de Jetibá é a segunda maior produtora de ovos do Brasil.
O mercado capixaba de ovos e frango é forte e muito promissor. O Estado representou 10% de toda a produção de ovos no Brasil em 2015, e o país ainda pode expandir seu mercado para fora, já que exporta apenas 1% da produção brasileira. Mas para que esse mercado não pare de crescer e expanda suas fronteiras, alguns cuidados para evitar doenças são necessários e uma das que mais preocupa a cadeia avícola é a influenza aviária.
O impacto na economia
Os riscos para a economia são impressionantes, caso uma doença como a influenza aviária chegue ao Brasil. Para se ter uma ideia, segundo Paulo César Martins, o impacto para a atividade seria gigantesco, levando o PIB a cair 0,33%. “Isso levando em consideração apenas ovos e frangos. Mas sabemos que as exportações de carne e grãos ficariam prejudicadas no mercado internacional. Com isso, o desemprego subiria bruscamente, e assim por diante, numa cadeia de prejuízos incalculáveis”, disse Martins, que revelou também uma estatística impressionante para que a plateia tivesse uma ideia da riqueza gerada pela avicultura brasileira: “A cadeia da avicultura emprega 3 milhões de pessoas no Brasil; a automobilística emprega 600 mil pessoas.”
Em relação à influenza aviária, os números no mundo são assustadores, conforme destacou o especialista em sua palestra. Em 2007, após alguns surtos de influenza aviária, o Vietnã teve uma perda em sua economia de 6,8 bilhões de dólares; já o Japão, perdeu 742 milhões de dólares. O Vietnã sofreu muito mais, porque não possui a um plano de contingência estruturado como o Japão, informou Martins.
Confira todas as atrações da V Semana Tecnológica do Agronegócio pelo site do evento: www.sta.coop.br
