Conbrasul inaugura modo conferência com sucesso em Gramado
Primeira edição no país que acontece nos moldes da International Egg Commission, o evento reúne cerca de 200 congressistas na Serra Gaúcha para debater postura.
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| Participantes de diversas regiões do país marcam presença na 1a. Conbrasul Ovos, em Gramado (RS) |
Cerca de 200 profissionais, entre avicultores, técnicos e executivos de empresas nacionais e internacionais, lotaram o auditório do centro de eventos do Wish Serrano Resort & Convention, em Gramado (RS), neste dia 12 de junho. Além de ser o primeiro dia da Conbrasul (o evento segue até o dia 14 de junho), conferência promovida pela Asgav especialmente voltada ao debate da avicultura de postura, a data marca o início de uma nova agenda de atualização para o setor brasileiro, reunindo líderes do setor de ovos de diversas regiões do país e representantes da indústria fornecedora, todos interessados em se atualizar e debater as novas demandas do setor brasileiro.
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| Eduardo dos Santos recepciona convidados do evento, junto a Ricardo Santin (ABPA), Cesar de Anda (IEC), Nestor Freiberger (Asgav) e Francisco Turra (ABPA) |
Promotora do evento, a Asgav, Associação Gaúcha de Avicultura, obteve êxito nessa primeira edição da Conbrasul, já que o setor de ovos está muito bem representado por lideranças de diversas áreas, tanto do país quanto do exterior. Visivelmente satisfeito com o que demonstrou ser o primeiro de três dias de sucesso do evento, o executivo José Eduardo dos Santos, diretor da Asgav, saudou a todos na abertura da 1ª. Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos comentando a importância dessa realização tanto para os avicultores gaúchos – anfitriões do evento -, quanto para produtores de ovos de outros estados. Agradeceu a expressiva participação, o apoio fundamental dos patrocinadores e reiterou a importância de haver mais eventos que debatam os temas prementes para a avicultura brasileira.
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| Anderson Müller, Claudia Simões Fontana e Daniel Bampi: exportação, legislação e indústria de ovos |
A Asgav e seus representantes recepcionaram os convidados já no domingo, dia 11, com um coquetel de confraternização no centro de convenções do hotel que sedia a conferência. Na segunda-feira, dia 12, a programação técnica foi aberta com o tema da exportação, apresentado por Anderson Muller, da Naturovos. E Müller traçou o panorama da exportação de ovos do Brasil e deixou interrogações para serem pensadas: como suprir o mercado interno atendendo a todos os requisitos exigidos pela lei e como suprir o mercado externo com ovos, exportando?
Também demonstrou que o Brasil tem trunfos para alcançar o mercado externo com qualidade e quantidade, se se dispuser à organização com método para exportar: possui status sanitário alto e tem capacidade instalada disponível para atender grandes volumes.
Falando em regras e leis, a palestrante Claudia Simões Fontana, auditora fiscal federal do Ministério da Agricultura e Pecuária no Rio Grande do Sul, destacou as normas do novo RISPOA (de 29 de março de 2017) e as possibilidades do avicultor de implementar investimentos em suas propriedades tendo a lei a seu favor, ou seja, seguindo as diretrizes para se autorregular. Ela ressaltou que se as regras forem seguidas à risca, há mais certezas de que a conformidade do produto será boa.
O avicultor gaúcho Daniel Bampi, da Granja Sedenir Bampi, falou sobre a destinação de ovos para a indústria, traçando um panorama da atualidade no país e a realidade de outros países do mundo em relação aos ovos produzidos especialmente para a indústria alimentícia. Em sua percepção, há muito espaço para que o avicultor se dedique à produção de ovos focada na indústria e lembrou o trabalho da ABPA, a Associação Brasileira de Proteína Animal, no sentido de trabalhar pelo incentivo da padronização do uso do ovo no produto industrializado, como as massas, por exemplo. Hoje, não há uma padronização na quantidade de ovos que devem ser usados pela indústria na fabricação de macarrão e outras massas, como acontece em países desenvolvidos; a indústria alimentícia brasileira usa até mesmo aditivos químicos em vez do ovo na formulação de suas massas.
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| Francisco Turra e Felipe Serigati: a avicultura brasileira no mundo e a economia do país em crise |
A economia brasileira, suas mazelas e a retomada do crescimento foram os temas abordados pelo economista Felipe Serigati, da Fundação Getúlio Vargas. Para uma plateia ávida por ouvir boas notícias da economia brasileira, Serigati avisou: não haverá melhora de forma rápida. E traçou todo um panorama da crise brasileira e dos remédios que foram utilizados de forma errônea e, mais recentemente, buscando dar conta do doente que já chegou a um estágio de UTI, com a maior recessão já vivida pelo país. Segundo ele, insistimos muito tempo no incentivo ao consumo, quando a economia do país já pedia novas diretrizes.
Serigati também informou, através de gráficos e exemplos, que estamos saindo, sim, da crise, mas há ainda muito a ser feito para que saiamos totalmente dela. E projetou algo em torno de 2019 para o início do fim da crise. Ao responder a uma questão da plateia sobre a importância do agronegócio para a balança comercial do país, Serigatti foi enfático: o agronegócio não é a locomotiva da economia brasileira. As atividades agropecuárias puxaram, sim, o dinamismo do emprego e da economia no interior do Brasil, onde o comércio e os empregos foram vitaminados com as atividades rurais, mas isso não significa que o universo agro, como ele se referiu ao setor, vá salvar a economia do país. “Não tomem para vocês essa responsabilidade”, disse o economista.
Tendo sempre a avicultura como mola-mestra de seu trabalho, o executivo Francisco Turra, presidente da ABPA, a Associação Brasileira de Proteína Animal, ressaltou a grandeza e importância da avicultura brasileira, especialmente no mercado externo. Destacando o tema Diferenciais do Brasil em relação a outros países produtores, Turra lembrou o status sanitário do Brasil como valor maior, além da força de produção gigantesca que o país possui, e ressaltou a importância do setor produtivo fortalecer suas entidades para a organização e implementação de metas arrojadas no mercado internacional.
O tema bem-estar animal também frequentou o primeiro dia de programação da 1ª Conbrasul, em Gramado, na Serra Gaúcha.
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| Lize P. Buss, Peter Vingerling e Fernanda Vieira: bem-estar animal em três faces |
Lize Pereira Buss, fiscal federal agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (DF), destacou o trabalho promovido por seu setor em relação ao bem-estar animal e lembrou a importância de todas as áreas da pecuária trabalharem juntas nesse sentido. Segundo ela, o tema bem-estar animal veio para ficar e que pesquisas indicam que jovens entre 18 e 29 anos já demonstram preocupação com a origem dos alimentos, como eles são produzidos, o que é um indicador de que, num futuro próximo, teremos um público consumidor que exigirá mudanças nesse sentido.
Peter Vingerling, da Vencomatic, segundo painelista do assunto, traçou um panorama da Europa sobre as mudanças no bem-estar animal ao longo das décadas. O executivo da Vencomatic relatou como o assunto surgiu nas décadas de 1980 e 1990, com embates duros entre produtores e ONGs, com grandes campanhas públicas exigindo mudanças na legislação. Também lembrou os anos de 2000 a 2010, com a vinda do debate a público sobre a produção intensiva dos animais, como o consumidor mais bem informado e as campanhas na mídia orientadas pelas ONGs e a imposição de suas marcas nesse debate.
Na atualidade, lembrou Vingerling, o consumidor está a par de tudo, inclusive dos resultados da ciência a respeito do bem-estar animal. E alertou que a atitude do consumidor está mudando muito rapidamente, o que significa que o avicultor, o mercado e a indústria devem estar sintonizados. A Vencomatic, por exemplo, sentiu nas mudanças e nas exigências por bem-estar animal na Europa a oportunidade de atender um novo mercado. E mostrou na palestra os aviários da marca criados para atender as novas exigências do mercado, segundo ele, sempre mais rápidas do que as leis governamentais.
Fernanda Vieira, gerente de programas e políticas corporativas da HSI (Humane Society International) Brasil, ONG que defende o bem-estar animal e a produção de ovos com aves fora da gaiola, apresentou estudos que demonstram o sofrimento das aves no caso da produção intensiva em gaiolas. Exemplificou em gráficos a situação dos países que já produzem com aves fora de gaiolas e as nações que mantêm a produção alicerçada em aves confinadas.
A zootecnista e mestre pela Unesp de Botucatu (SP) é representante da HSI no Brasil e tem participado de diversos eventos, nos quais tem apresentado a plataforma do bem-estar animal para aves de produção, destacando que a entidade que representa não tem fins alarmistas ou sensacionalistas, mas, defende com teses baseadas em estudos a produção de ovos com aves fora de gaiolas. Ela acredita que o bem-estar animal, tal como está sendo proposto, pode ser uma oportunidade nova de mercado para o produtor.
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| Gisele Amaral e Francisco Lima, Josete Silveira e Andres Valencia: incentivo, vigilância sanitária e marketing |
Os programas especialmente criados para o financiamento de projetos para a avicultura de postura foram o destaque da palestra Avicultura de postura e o apoio do BNDES, apresentada por Gisele Amaral e Francisco Lima. Os dois profissionais falaram sobre os métodos e maneiras de acessar os investimentos do banco de fomento à disposição dos avicultores de postura brasileiros.
Já a salmonela e a inspeção do produto ovo foram os temas da palestra de Josete Baialardi Silveira, da Divisão de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul. Com detalhes sobre o trabalho da vigilância sanitária, Josete considerou a importância da segurança alimentar em relação ao consumo de ovos. A palestrante falou sobre a inspeção do produto nos diversos pontos do Rio Grande do Sul e destacou especialmente o problema da salmonela e dos produtos sem inspeção em relação aos ovos vendidos sem qualquer qualificação, especialmente no mercado do interior do estado.
No finalzinho do dia, a programação da 1ª. Conbrasul trouxe o exitoso programa de marketing promovido pela Fenavi, a Federação Nacional dos Avicultores da Colômbia. O tema foi apresentado pelo presidente da entidade, Andres Valencia, que mostrou os principais cases do programa, destacando o Fundo Nacional Avícola como motor de desenvolvimento do programa de marketing do ovo colombiano. Hoje, a Colômbia registra o índice de 272 ovos per capita/ano e projeta alcançar, em 5 ou 6 anos, a marca de 300 ovos per capita/ano.






