Caem a oferta e o consumo de ovos no Brasil, indicam dados da ABPA
Ainda assim, o setor de ovos foi o menos impactado pela crise econômica brasileira, segundo análise do presidente da ABPA, Francisco Turra.
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| Turra e diretores da ABPA: análise de 2016 para a produção de proteína animal |
Com dados a serem consolidados até o final do período de 2016, números apontam que produção de ovos foi 0,8% menor que 2015, e o consumo decresceu 0,7%. Os dados preliminares de 2016 para a produção de proteína animal, segundo a ABPA, a Associação Brasileira de Proteína Animal, foram apresentados pela diretoria da entidade no último dia 13 de dezembro, em entrevista coletiva à imprensa na sede da entidade, na capital São Paulo. Neles, estão os números da avicultura de postura apontando para um decréscimo tanto na produção quanto no consumo de ovos no país.
“A produção brasileira de ovos deverá atingir neste ano 39,1 bilhões de unidades produzidas, número 0,8% inferior às 39,5 bilhões de unidades registradas em 2015”, apontou o relatório da ABPA. “Com a menor oferta, o consumo per capita de ovos deverá decrescer 0,7%, chegando a 190 unidades (contra 191 unidades de 2015).”
Quanto às exportações do setor, de acordo com o relatório da entidade, houve uma retração de 45% em relação ao ano anterior, partindo de 18,7 mil toneladas em 2015 para 10,2 mil toneladas neste ano. Em receita, as vendas chegarão a US$ 14 milhões, saldo 40,8% inferior ao obtido no ano passado (US$ 23,6 milhões).
De janeiro a novembro, as exportações de ovos chegaram a 9,799 mil toneladas, volume 41,7% inferior ao obtido no mesmo período do ano passado. Em novembro, a retração chega a 75,8%, com 542 toneladas.
Em receita, as exportações atingiram US$ 13,324 milhões entre janeiro e novembro (-37%) e US$ 825 mil apenas no décimo primeiro mês do ano (-69,6%).
Para 2017, as perspectivas apontam para uma elevação de 2% na produção de ovos e de até 3% nas exportações.
Em sua análise sobre o cenário produtivo de 2016, o presidente-executivo da ABPA, Francisco Turra, destacou que o setor de ovos foi que menos impacto sofreu diante da crise econômica brasileira, “registrando apenas leves quedas na produção e no consumo per capita. Com as melhores condições de venda no mercado interno, as exportações do segmento apresentaram rendimento inferior ao alcançado em 2015'. Segundo ele, para o próximo ano, alguns fatores devem favorecer os negócios dos setores produtivos de proteína, tanto internamente, quanto no mercado internacional.
“No mercado brasileiro, a possível recuperação econômica poderá influenciar os níveis de consumo das proteínas, melhorando a oferta interna e reestabelecendo patamares per capita semelhantes aos de 2015. Para as vendas externas, o status sanitário do setor avícola brasileiro poderá ser determinante para o incremento dos negócios com os diversos mercados recentemente afetados por focos de influenza aviária. Outros países, que determinaram bloqueio comercial aos produtores afetados pela enfermidade, também poderão buscar no Brasil a complementação para o abastecimento de carne de frango. Vale lembrar que a avicultura brasileira é a única do mundo a nunca registrar focos da doença”, destacou Turra.
O presidente da ABPA também analisou o cenário como um todo:
“O ano de 2016 chega ao fim com perspectivas melhores que as manifestadas pelo setor ao final do primeiro semestre. É fato que a crise econômica que atingiu o país – gerando desemprego e retraindo os níveis de consumo - também afetou o setor de proteína animal, mas parte dos fatores que influenciaram este cenário desafiador está mais ameno.
Exemplo disso é o preço do milho, que encerra o ano com valores abaixo de R$ 40 pela saca de 60 quilos – significativamente menor que os valores praticados meses atrás, que superaram R$ 60. A oferta no Paraguai e na Argentina, além da recentemente autorizada importação dos Estados Unidos, deverão reduzir a pressão sobre a cotação do insumo no próximo ano.
Outro ponto de atenção do setor, o câmbio apresentou melhoras no terceiro trimestre, se aproximando, em determinados momentos, de R$ 3,50 por dólar – valor considerado ideal pelos exportadores de aves e de suínos.
Entretanto, outros fatores como escassez de crédito e juros elevados se mantiveram como um dos mais duros obstáculos para as agroindústrias avícolas e suinícolas.
Ao mesmo tempo, como consequência da soma dos fatores “crise econômica” e “alta dos insumos”, a produção de carne de frango em diversos polos produtores desacelerou fortemente em relação às previsões iniciais para o ano, que eram de 13,6 milhões de toneladas. O bom desempenho das exportações, contudo, reduziu os efeitos deste cenário.
Participam do encontro o presidente-executivo da ABPA, Francisco Turra, os vice-presidentes de mercados, Ricardo Santin, e técnico, Rui Eduardo Saldanha Vargas, o diretor de relações institucionais, Ariel Antônio Mendes, e o Diretor Administrativo e Financeiro, José Perboyre.
