Simpósio Internacional e Congresso de Coturnicultura marca nova fase de inovação e integração global

Simpósio Internacional e Congresso de Coturnicultura marca nova fase de inovação e integração global

O encontro reuniu cientistas, empresários e produtores do Brasil e vários países, consolidando o evento como o principal fórum de inovação do setor.

Ovonews

novembro 13, 2025

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Depois de oito anos de intervalo — e de um hiato ampliado pela pandemia —, a coturnicultura voltou a ocupar o centro do debate técnico e científico no Brasil. Foi o que A Hora do Ovo testemunhou ao participar do VIII Simpósio Internacional de Coturnicultura e VII Congresso Brasileiro de Coturnicultura, evento conjunto realizado nos dias 30 e 31 de outubro, no anfiteatro da USP de Pirassununga (SP).

O encontro foi muito especial, não só pelo retorno do debate técnico-científico no segmento, mas, também, pela sintonia fina que se viu como resultado de uma cooperação entre ciência, academia e setor produtivo. Foi essa parceria que permitiu a retomada de um encontro que, historicamente, sempre impulsionou o desenvolvimento tecnológico e acadêmico da coturnicultura no Brasil.

Pela primeira vez sediado na Universidade de São Paulo (USP) de Pirassununga (SP), o encontro foi promovido pela Fujikura Quail Genetics em parceria com três núcleos universitários de referência: o GEMA/USP (Grupo de Empreendedorismo no Agronegócio), o NECTA/UFLA (Núcleo de Estudos em Ciências e Tecnologia Avícola) e o e o GETA/UFPB (Grupo de Estudos em Tecnologias Avícolas).

A nova edição trouxe um formato moderno e internacional, com participantes de Belarus, Japão, Arábia Saudita, Itália, Portugal, Bolívia, Peru, Colômbia e Paraguai, além de representantes da maioria das regiões produtivas de codorna do Brasil.

UM REENCONTRO COM A CIÊNCIA E A COOPERAÇÃO

WILLIAM-FUJIKURA
Na abertura do evento, o CEO da Fujikura, William Shuhei Fujikura, destacou a importância simbólica dessa retomada do evento para maior impulso à coturnicultura do Brasil. “A coturnicultura brasileira tem relevância, escala, identidade e potencial global. Esse simpósio mostra que o setor voltou mais maduro, mais conectado e mais internacional”, afirmou.

Fujikura agradeceu à equipe da Fujikura Quail Genetics e às universidades parceiras pelo esforço conjunto e ao apoio institucional da USP de Pirassununga, destacando o acolhimento da reitoria e o papel das entidades científicas na estruturação técnica do evento. “Este encontro é fruto de muitas mãos, mentes e corações”, disse a uma plateia atenta e participativa, como demonstrou ser, da primeira à última palestra do evento. Agradeceu, também, à equipe o PodAves, de Adriano Felizardo, que foi o mestre de cerimônias do evento e fez a diferença, especialmente nos debates muito bem conduzidos entre as palestras.

DO DESERTO AO LABORATÓRIO: CIÊNCIA SEM FRONTEIRAS

O simpósio trouxe uma programação ampla e diversa, unindo pesquisa aplicada, tecnologia e experiência de campo.

A programação técnica brasileira foi aberta pelo renomado Professor Antônio Gilberto Bertechini (UFLA), que apresentou um panorama histórico e fisiológico da codorna japonesa e defendeu a importância da pesquisa aplicada e do equilíbrio nutricional para manter o desempenho produtivo da espécie. Sua palestra deu o tom do evento: ciência com propósito e aplicação prática.

O tema da nutrição de precisão ganhou destaque com Cláudio Franco, da Vaccinar, que apresentou a palestra A importância da nutrição de codornas japonesas desde o primeiro dia de vida. Com linguagem prática e dados de campo, Franco defendeu o uso de ração peletizada e proteína ideal para garantir peso e uniformidade na fase de recria.

Na sequência, Eduardo Scarpa, da Núttria, complementou a discussão com sua palestra O impacto do manejo e da recria na performance produtiva, comparando a criação de codornas a uma corrida de Fórmula 1: “A primeira volta decide a corrida”. Ele reforçou que a uniformidade e o acompanhamento técnico são determinantes para o sucesso do lote.

Entre os destaques internacionais da programação, as palestras de Raed Fanous, da Astra Farms (Arábia Saudita), que relatou o desafio de produzir codornas em pleno deserto com sistemas automatizados e certificação halal, e de Svetlana Katovich, da JSC Soligorsk Poultry Farm (Belarus), que emocionou o público ao descrever a parceria técnica entre produtores bielorrussos e empresas brasileiras como Yamasa, Artabas, Fujikura e Kilbra.

A visão global se completou com o painel de William Shuhei Fujikura sobre o mercado asiático, especialmente o Vietnã, que hoje abriga mais de 30 milhões de codornas alojadas e começa a industrializar sua produção. “O centro de gravidade do mercado mundial vai migrar para a Ásia, e o Brasil precisa estar dentro desse movimento”, alertou o empresário.

A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA CHEGOU AO NINHO

Entre os brasileiros, Victor Nakaguchi, da ESALQ/USP e doutorando da Universidade de Tsukuba, Japão, conquistou o público com uma palestra vibrante sobre inteligência artificial e visão computacional aplicadas à coturnicultura.

Mostrou como sensores e algoritmos já permitem classificar ovos por tamanho e frescor com até 96% de precisão e identificar níveis de estresse das aves em tempo real. “O futuro da coturnicultura é enxergar melhor e agir com mais precisão”, sintetizou Nakaguchi.

Alberto Yamasaki, engenheiro e gerente de engenharia da Yamasa, destacou o papel da automação nas embaladoras de ovos de codorna como fator decisivo para a eficiência produtiva e a padronização.
Com experiência técnica e visão de mercado, ele mostrou como o planejamento do aviário e o dimensionamento adequado das linhas automáticas podem reduzir até 60% da mão de obra, garantindo qualidade constante e uniformidade no produto final.
“Automação é eficiência, mas também é padronização”, resumiu Yamasaki, lembrando que o projeto começa antes da obra e que o investimento em tecnologia precisa andar de mãos dadas com o marketing e a expansão do consumo.

A automação seguiu em alta na programação do Simpósio, com a palestra muito didática de Elton Oliveira, gerente de engenharia, projetos e comercial da Artabas. Ele apresentou soluções modernas de automação e controle ambiental em granjas de codornas e fez uma defesa lúcida da importância do projeto bem planejado, da automação e do controle de ambiência na criação de codornas.

O profissional da Artabas mostrou que a engenharia é uma aliada direta da produtividade e ressaltou que “o projeto bem planejado e a ambiência controlada são verdadeiros motores da produtividade”.

Outros pesquisadores apresentaram avanços em nutrição, sanidade e biossegurança: o professor Fernando Perazzo (UFPB) demonstrou novas tabelas nutricionais brasileiras de 2024 e técnicas de split feeding, enquanto Lucas Ferreira Batista (Inata Biológicos) destacou o papel das vacinas autógenas no controle de doenças bacterianas.
Já o professor Ricardo Pereira (USP) fez um alerta sobre a urgência da preservação genética das codornas, propondo a criação de bancos nacionais de germoplasma, um tema inédito no setor.

MERCADO E CULTURA LADO A LADO

O simpósio também deu espaço à história e à cultura da avicultura. O executivo Marcondes Moser, presidente da ACAV (Associação Catarinense de Avicultura), revisitou as origens da coturnicultura no Brasil e apresentou o modelo de produção da Villa Germânia, maior frigorífico de codornas das Américas.
“O alimento é encontro, é cultura. A codorna é uma proteína gourmet que carrega memória e celebração”, afirmou.

A programação do simpósio, inclusive, incluiu no jantar de confraternização, o prato italiano Menarosto, preparado com carne de codorna e oferecido pela Villa Germânia, uma homenagem à herança imigrante que deu origem à atividade no Sul do país.

A CIÊNCIA QUE RENOVA O FUTURO

Na abertura do segundo dia, os participantes do evento puderam conhecer os melhores trabalhos científicos inscritos no Simpósio. O anúncio dos trabalhos destacados e a premiação foram coordenados pelo Professor Fernando Perazzo, da Universidade Federal da Paraíba, que destacou a qualidade técnica dos 35 estudos apresentados.

Os primeiros lugares foram conquistados por equipes da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com pesquisas sobre isolamento térmico sustentável e revestimento natural de ovos, respectivamente.
“Esses jovens pesquisadores mostram que o futuro da coturnicultura brasileira está sendo construído dentro das universidades”, afirmou Perazzo.

O BRASIL DE VOLTA AO PROTAGONISMO

ORGANIZADORES
Parceiros na realização do Simpósio (da esquerda para a direita): William Pagliarin e William Fujikura (Fujikura Quail Genetics), Ricardo Pereira (USP Pirassununga), Antônio Gilberto Bertechini (UFLA) e Fernando Perazzo (UFPB)


Com auditório lotado e tradução simultânea, o VIII Simpósio Internacional de Coturnicultura e VII Congresso Brasileiro de Coturnicultura consolidaram o Brasil como polo global de ciência e inovação na produção de codornas.
A realização dos dois eventos conjuntos no anfiteatro da USP de Pirassununga simbolizou a união entre a academia e o setor produtivo, e o evento marcou a reconexão internacional do segmento após o período pós-pandemia.

Para o professor Ricardo Pereira, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP de Pirassununga, o sucesso do evento se deve - além do potencial que carrega a programação - à feliz parceria da academia com os representantes do mercado. “Essa união permitiu que cada área colaborasse com seu conhecimento e potencial, demonstrando que ciência, pesquisa e setor produtivo mantenham uma conexão com resultados para todos”, analisou.

Experiente no setor de coturnuicultura e atuando há 40 anos em pesquisas que ampliam a capacidade do segmento produtivo, o Prof. Fernando Perazzo se disse satisfeito com os resultados positivos do encontro realizado em Pirassununga. “Demonstrou a possibilidade de todos poderem colaborar com sua experiência para um salto que a coturnicultura merece”, disse o veterano professor, que coordena o grupo GETA, na UFB, e está sempre atento à evolução da coturnicultura brasileira.

Nome de peso e respeito no cenário da codorna brasileira e internacional, o Prof. Antônio Gilberto Bertechini, idealizador do projeto original do Simpósio e condutor do evento por oito edições, considerou que, tanto a programação quanto a participação do público, foram dignos de registro, com atividades que integraram a todos.

Para William Pagliarin, gerente de Produção e Vendas da Fujikura Quail Genetics, um grande entusiasta do evento, “foram dias intensos, mas muito leves ao mesmo tempo”, considerou. Em sua análise, a equipe Fujikura se esmerou, tendo foco e união para “unir e transformar”. Essa receita, segundo ele, também fez acontecer o evento.

Nas palavras de William Shuhei Fujikura, CEO da Fujikura Quail Genetics, além de um reencontro de profissionais, o evento foi um renascimento que merece ser comemorado por todos que integraram essa rica parceria de ideias e de realização: “Com certeza, cada um saiu do evento maior do que chegou. Que ele inspire novas ideias, novas parcerias e novos horizontes”, desejou, satisfeito com o sucesso da nova temporada.

(A Hora do Ovo, em cobertura presencial no VIII Simpósio Internacional de Coturnicultura e VII Congresso Brasileiro de Coturnicultura. Fotos: Teresa Godoy e Elenita Monteiro)

tag: Simposio de coturnicultura , Fujikura , USP Pirassununga ,

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