FACTA Conecta estreia com foco no uso de DDGS e revela avanços para a nutrição de aves e ruminantes
Formato on line promovido pela FACTA nasce com a missão de levar conhecimento, também, a quem não pode participar de encontros presenciais.
A FACTA lançou no dia 31 de março a primeira edição do FACTA Conecta, novo formato on‑line de difusão de conhecimento da Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia Animal. O evento inaugural trouxe um tema que ganha espaço acelerado na avicultura brasileira: a utilização de DDGs e outros coprodutos das biorrefinarias de etanol de milho na nutrição animal.
Na abertura, o presidente da FACTA, Ariel Mendes, destacou que o projeto FACTA Conecta visa aproveitar a expertise da fundação para levar informações técnicas a profissionais que nem sempre podem acompanhar os eventos presenciais. “Queremos levar conhecimento técnico de qualidade para quem não consegue estar presencialmente nos nossos eventos. Esse é o primeiro de muitos encontros on‑line”, afirmou.
Ariel Mendes (foto) ressaltou a evolução da própria fundação, que hoje abrange aves, suínos, pescado e ruminantes, e reforçou o papel da instituição na produção de literatura técnica e científica de referência mundial. O evento reforça o papel da FACTA como ponte entre ciência e produção, agora também no ambiente digital.
O primeiro evento da série reuniu os especialistas Ideraldo Luiz Lima, zootecnista e referência nacional em nutrição de aves e suínos, e Jonas Daltrini, especialista em nutrição de ruminantes. Para o setor avícola, a palestra de Ideraldo trouxe dados inéditos e resultados de pesquisas brasileiras que reforçam o potencial dos coprodutos do etanol de milho como ingredientes estratégicos nas formulações.
Com cerca de 30 usinas previstas ou em construção, o especialista destacou que o DDGS deixou de ser um ingrediente alternativo. “Não podemos mais chamar DDGS de produto alternativo. Ele já faz parte da matriz nutricional brasileira”, afirmou Ideraldo, profissional que tem mais de 30 anos de experiência dedicados à nutrição animal no país.
Para a nutrição de aves, Ideraldo enfatizou a importância de diferenciar os produtos. DDGS Convencional possui entre 30% e 32% de proteína bruta, inclui pericarpo (a fibra) e recebe a fração solúvel, o xarope. Já o DDGHP (Alta Proteína) é o resultado de um processo que separa o pericarpo antes da fermentação, elevando o teor proteico para a faixa de 40% a 42%. Produzido sem pericarpo e sem solúveis, resulta em maior concentração proteica e menor variabilidade.
Ideraldo reforçou que o processo industrial das biorrefinarias — que leva de 5 a 7 dias, muito mais longo que o da soja — exige atenção redobrada à padronização e ao controle de qualidade.
REFORÇO NUTRICIONAL PARA FRANGOS E POEDEIRAS
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Ideraldo Luiz Lima (foto) detalhou pesquisas brasileiras recentes que trazem segurança ao formulador. Para os frangos de corte, estudos mostram que é possível incluir até 16% de DDGS sem perdas no ganho de peso ou na conversão alimentar, desde que os aminoácidos (como a lisina) sejam devidamente corrigidos.Para as poedeiras, o uso de até 24% de DDGHP manteve a taxa de postura em níveis excelentes (acima de 98%). O DDGS mostrou um benefício especialmente valorizado pelo mercado: a melhoria significativa na coloração da gema, devido à concentração de pigmentos naturais do milho no processo.
Entre 41 estudos, 33 registraram melhora significativa da cor da gema.
A saúde intestinal também foi mencionada pelo palestrante, que demonstrou o potencial dos derivados para esse objetivo. Ele observou que, em suínos, houve uma redução significativa na necessidade de medicamentos em dietas com alta inclusão, o que pode estar ligado à presença de leveduras.
Ideraldo reforçou que, para aves, o DDGHP tende a ser o produto mais promissor.
Ao encerrar sua apresentação, Ideraldo Lima deixou um alerta importante para o setor: a necessidade de padronização. Como os produtos brasileiros possuem características próprias devido aos processos das usinas locais, é fundamental que o nutricionista mantenha contato direto com o fornecedor para garantir os parâmetros de qualidade, especialmente em relação à secagem e ao controle de micotoxinas.
ENTRE RUMINANTES O DDG JÁ É REALIDADE, AFIRMA JONAS DALTRINI
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A segunda palestra do FACTA Conecta foi apresentada por Jonas Daltrini, consultor da Nutron/Cargill (foto), que mostrou que o DDG e o DDGS já são amplamente utilizados em confinamentos de gado e sistemas a pasto.Entre os destaques de Daltrini, a indicação de que a proteína do DDG é majoritariamente não degradável no rúmen, reduzindo a necessidade de ureia. Que inclusões de 20% a 45% em confinamento melhoram ganho e eficiência. Que o WDG (produto úmido) pode gerar até R$ 100 por boi de vantagem econômica e que em dietas a pasto o DDG substitui totalmente o farelo de soja sem perda de desempenho.
Segundo Jonas, “entre 50% e 60% das dietas de confinamento no Brasil já utilizam DDG. O farelo de soja virou exceção”, apontou.
A primeira edição do FACTA Conecta mostrou que o DDGS e o DDGHP têm base científica sólida para uso em aves e que a expansão das biorrefinarias garante oferta crescente e competitiva. Em relação à avicultura, em especial a de postura, ficou evidente que o setor tem oportunidade real de reduzir custos, diversificar ingredientes e melhorar características de produto, como a coloração da gema, por exemplo, no caso das poedeiras.
(A Hora do Ovo, em cobertura especial on line no FACTA Conecta. Captura de imagens e edição: Teresa Godoy)
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