Butantan recebe aprovação da Anvisa para iniciar testes clínicos da vacina contra influenza aviária em humanos

Butantan recebe aprovação da Anvisa para iniciar testes clínicos da vacina contra influenza aviária em humanos

A primeira fase do ensaio clínico convidará voluntários adultos que receberão duas doses da vacina em estudo.

Ovonews

julho 16, 2025

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O Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo, recebeu no início de julho, a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o início dos ensaios em humanos da sua candidata à vacina contra a influenza aviária A (H5N8). Para isso, o Instituto pretende convidar 700 adultos e idosos voluntários que participarão das fases 1/2 do estudo em cinco centros de pesquisa brasileiros.

No portal do Butantan, a jornalista Camila Neumam traz o tema em sua reportagem publicada no dia 1º de julho, na qual destaca que “a vacina influenza monovalente A (H5N8) (inativada, fragmentada e adjuvada) será testada em duas doses com intervalo de 21 dias, primeiramente em adultos de 18 anos até 59 anos e 11 meses e depois em pessoas com 60 anos ou mais. O Instituto Butantan concluiu os estudos pré-clínicos com resultados favoráveis de segurança e imunogenicidade.”

Durante o II Fórum Estadual de Influenza Aviária, realizado pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em junho, na capital paulista, o médico Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan (foto no destaque), proferiu palestra exatamente sobre a vacina e os estudos realizados pelo órgão em busca de uma vacina que possa imunizar em um possível surto de influenza aviária em humanos.

A chegada do vírus da influenza aviária em mamíferos, em algumas regiões do mundo, acendeu o alerta para o contágio em humanos, fazendo nascer a necessidade de pensar na proteção das pessoas. Pensando nisso, o Instituto Butantan já vem trabalhando no projeto de uma vacina contra influenza aviária para aplicação em humanos. Embora os casos da doença ligada às aves sejam raros em pessoas, não está descartada a possibilidade desse fato acontecer em maior escala, dado ao crescente número de surtos da doença em aves pelo mundo.

Em sua palestra, durante o Fórum, Kallás expôs o portfólio de produtos já desenvolvidos pelo instituto e um panorama desde 2021, momento em que o órgão conseguiu a pré-qualificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o início do desenvolvimento da vacina. “Com a vacinação conseguimos prevenir a infecção, a doença, quadros graves, complicações, hospitalizações e, claro, mortes. Vacinas salvam vidas”, afirmou.

O surgimento de casos em humanos preocupa cientistas, como bem demonstrou o dirigente do Butantan, tanto pelo alto potencial de transmissibilidade do vírus como pela gravidade dos sintomas, que podem variar de uma conjuntivite com sintomas leves de gripe a uma doença respiratória aguda grave, levando à morte. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a transmissão da influenza aviária em humanos pode ocorrer após contato com a ave infectada viva ou pela manipulação do animal morto, este último no caso de frigoríficos.

O Instituto Butantan analisou as sequências genéticas dos vírus circulantes na América do Sul para escolher qual vacina seria candidata ao desenvolvimento; incluiu a cepa H5N1 por se tratar de uma variante altamente patogênica, permitindo uma mudança de cepa caso essa variante se espalhe, indicou o Instituto.

Ter uma vacina pronta, com uma plataforma já testada que mostra que produz anticorpos com segurança é o objetivo do Butantan, considerou o especialista. A ideia, enfim, é estar preparado, ter estoques estratégicos e respostas rápidas em caso de emergência. Para o infectologista, é preciso se preparar hoje para prevenir e mitigar crises de saúde pública no amanhã.

Na reportagem no site do Instituto Butantan, Esper Kallás, falou sobre o processo de produção da vacina. “Estamos em conversas com o Ministério da Saúde, que se mostrou sensível ao avanço dessa discussão. Com a plataforma aprovada, o Instituto pode produzir um contingente de 30 milhões de doses após os resultados iniciais. Esse contingente estratégico pode ser utilizado caso o vírus comece a se disseminar entre humanos e tenha antígenos semelhantes aos representados pela vacina candidata do Instituto Butantan”, afirmou Kallás.

Leia a íntegra da matéria sobre a nova vacina a ser desenvolvida pelo Instituto Butantan no link Butantan recebe aprovação da Anvisa para início de testes clínicos de vacina desenvolvida pelo Instituto contra gripe aviária

(A Hora do Ovo, com informações de Teresa Godoy, na cobertura do II Fórum Estadual de Influenza Aviária, e do Portal do Instituto Butantan. Foto: Teresa Godoy).

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