Micotoxinas na avicultura: avaliação fisiológica dos impactos produtivos em frangos de corte

Micotoxinas na avicultura: avaliação fisiológica dos impactos produtivos em frangos de corte

O Verax™ transforma dados de biomarcadores em informação prática de campo, auxiliando na identificação de perdas subclínicas e apoiando decisões mais rápidas, assertivas e economicamente sustentáveis.

Com a palavra

setembro 08, 2026

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ENTRE A ANÁLISE DA RAÇÃO E A RESPOSTA DO ANIMAL

As micotoxinas seguem como um dos desafios mais persistentes e subestimados na produção de frangos de corte. Mesmo em sistemas altamente tecnificados, com programas robustos de monitoramento de matérias-primas e rações, é comum observar quedas de desempenho sem uma causa evidente. Piora em conversão alimentar, ganho de peso abaixo do esperado, desuniformidade de lote e aumento de desafios entéricos aparecem na rotina de campo, muitas vezes acompanhados de laudos analíticos considerados dentro dos limites aceitáveis de micotoxinas.

A presença de micotoxinas no alimento nem sempre explica, sozinha, o impacto produtivo observado. A exposição é dinâmica e multifatorial, dependente da interação entre diferentes toxinas, do nível de consumo, do status sanitário das aves e das condições de manejo. Em outras palavras, o risco real nem sempre está apenas na ração e nos ingredientes analisados, mas na forma como o organismo das aves respondem a esses desafios.

O PROBLEMA INVISÍVEL DAS PERDAS SUBCLÍNICAS

Grande parte das perdas associadas às micotoxinas ocorre de forma subclínica. Não há sinais clínicos evidentes ou mortalidade expressiva, mas o desempenho simplesmente não entrega o potencial esperado. Esses efeitos silenciosos acumulam prejuízos ao longo do ciclo produtivo, impactando diretamente a eficiência econômica do sistema.

A análise laboratorial de ingredientes e rações continua sendo uma ferramenta indispensável e deve permanecer como base das estratégias de controle. No entanto, trata-se de uma fotografia pontual, sujeita a limitações de amostragem e incapaz de captar fatores que amplificam os efeitos das micotoxinas no campo, como variações no consumo, estresse térmico, desafios sanitários concomitantes e o sinergismo entre diferentes toxinas.

Quando a queda de desempenho é identificada, o prejuízo já aconteceu. As alterações fisiológicas começam muito antes de qualquer sinal produtivo evidente. Nesse contexto, monitorar apenas a presença da toxina não é suficiente. Torna-se estratégico medir o efeito que ela já está provocando no animal.

O QUE AS MICOTOXINAS FAZEM NO ORGANISMO DAS AVES

Os efeitos das micotoxinas são sistêmicos e afetam diretamente os pilares do desempenho zootécnico. O fígado é um dos primeiros órgãos impactados, devido ao seu papel central no metabolismo e na detoxificação. Alterações em biomarcadores como AST, ácido úrico e albumina indicam sobrecarga hepática e disfunção metabólica, frequentemente associadas à exposição a aflatoxina B1, fumonisinas e deoxinivalenol (DON).

A fumonisina B1, por exemplo, compromete a função hepática ao desorganizar o metabolismo celular, afetando a integridade das células do fígado e a eficiência metabólica, o que se reflete diretamente em menor ganho de peso e pior conversão alimentar. Essas alterações podem ocorrer mesmo em níveis de contaminação considerados baixos, especialmente quando associadas a outros fatores de estresse.

No trato gastrointestinal, o impacto é igualmente relevante. O deoxinivalenol (DON) compromete a função intestinal ao prejudicar a capacidade das células da mucosa em absorver nutrientes, além disso, provoca alterações na morfologia intestinal e na integridade da barreira epitelial, aumentando a permeabilidade e favorecendo a translocação bacteriana. O resultado prático é menor aproveitamento da dieta, maior incidência de diarreias e pior conversão alimentar.

O sistema imune também sofre consequências importantes. As micotoxinas apresentam efeito imunomodulador, reduzindo a eficiência das respostas humoral e celular, alterando a produção de citocinas e aumentando a susceptibilidade a infecções. Na prática, isso se traduz em menor resiliência sanitária e, muitas vezes, em resposta vacinal abaixo do esperado.

BIOMARCADORES: DA FISIOLOGIA À DECISÃO DE CAMPO

O monitoramento de biomarcadores sanguíneos surge como uma abordagem complementar e cada vez mais alinhada com a lógica da avicultura moderna, orientada por dados. Ao acessar diretamente a resposta fisiológica das aves, essa ferramenta permite identificar alterações metabólicas, inflamatórias e funcionais antes que as perdas zootécnicas sejam visíveis.

Plataformas como o Verax™ utilizam a análise de biomarcadores combinada a modelos avançados de interpretação para transformar dados fisiológicos em informação prática para o campo. A proposta não é substituir a análise do alimento, mas conectá-la aos seus efeitos reais no organismo das aves, apoiando um modelo mais proativo de gestão de risco.

A avaliação conjunta de biomarcadores ajuda a entender, de forma prática, como as micotoxinas afetam o desempenho do lote. Alterações em parâmetros como albumina, proteína total, AST e ácido úrico indicam que o fígado está trabalhando sob sobrecarga, enquanto mudanças em glicose e carotenoides sugerem menor aproveitamento da dieta. Distúrbios observados em pH, bicarbonato, sódio, cloreto, cálcio e fósforo ajudam a explicar quedas de desempenho associadas a desafios intestinais subclínicos. Outros marcadores, como creatina quinase, hematócrito e hemoglobina, reforçam a presença de estresse metabólico e respostas sistêmicas ao desafio.

No Verax™, esses biomarcadores são interpretados de forma integrada, com apoio de modelos de inteligência artificial, permitindo identificar padrões fisiológicos típicos de exposição a micotoxinas que orientam decisões mais assertivas, sendo possível direcionar ajustes na estratégia de controle, resultando em recuperação de desempenho, o que em escala industrial, representam impacto econômico expressivo, reforçando o valor da identificação precoce das perdas subclínicas.

Na prática, o uso de biomarcadores permite indicar o momento adequado para aprofundar investigações, revisar matérias-primas, ajustar estratégias nutricionais ou avaliar a eficácia das ferramentas de controle de micotoxinas ao longo do tempo. Mais do que reagir a problemas já instalados, essa abordagem amplia a capacidade de antecipação, reduz perdas invisíveis e melhora a previsibilidade dos resultados.

CONCLUSÃO

Na avicultura, eficiência depende da capacidade de antecipar problemas. A combinação entre a análise de alimento e o monitoramento fisiológico das aves amplia a leitura do risco real associado às micotoxinas. Nesse cenário, o Verax™ transforma dados de biomarcadores em informação prática de campo, auxiliando na identificação de perdas subclínicas e apoiando decisões mais rápidas, assertivas e economicamente sustentáveis.

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Referências bibliográficas
• Antonissen, G. et al. (2014). The impact of mycotoxins on gut health in broiler chickens. Poultry Science.
• Antonissen, G. et al. (2015). Fumonisins affect the liver and intestinal health of broilers.
• Awad, W. A. et al. (2013). Effects of deoxynivalenol on intestinal barrier function and immune response in broilers.
• Grenier, B., & Applegate, T. J. (2013). Modulation of intestinal functions following mycotoxin ingestion in animals. Animal Feed Science and Technology.
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LETÍCIA CARDOSO Autor

Médica-veterinária e gerente de Serviços de Precisão e consultora de Verax para América Latina Sul na dsm-firmenich.

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LETÍCIA BRAGA Autor

Médica-veterinária e gerente Técnica especialista em avicultura na dsm-firmenich.

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