Projeto traça perfil do consumidor de ovos na região de Jaboticabal (SP)

Projeto traça perfil do consumidor de ovos na região de Jaboticabal (SP)

Pesquisa foi realizada por estudantes do curso de Zootecnia, sob a coordenação do prof. Nelson José Peruzzi, do Departamento de Ciências Exatas da Unesp de Jaboticabal.

Ovonews

dezembro 06, 2017

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Análise sensorial em supermercado de Jaboticabal (SP)

 

Analisar o comportamento do consumidor de ovos da região de Jaboticabal foi um dos objetivos do trabalho realizado pelo Programa de Educação Tutorial (PET) Zootecnia da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp de Jaboticabal (FCAV/UNESP), no Estado de São Paulo. Com o apoio da DSM Produtos Nutricionais S.A., a pesquisa pôde ser realizada, tendo na liderança o estudante de zootecnia Felipe Henrique Bossi, coordenado pelo professor Nelson José Peruzzi, do Departamento de Ciências Exatas da Unesp e tutor do PET Zootecnia.

Com o apoio do Prof. Dr. Edney Pereira da Silva, do Departamento de Zootecnia da instituição, e da Profa. Dra. Nilva Kazue Sakomura, responsável pelo Laboratório de Ciências Avícolas da Unesp, o trabalho integra o portfólio de ações do grupo PET Zootecnia, programa do MEC que permite à instituição selecionar os melhores alunos e, com o programa, complementar sua formação ao mesmo tempo em que desenvolvem atividades que tenham interesses voltados à comunidade.

Segundo o professor Peruzzi, o PET tem um forte apelo de extensão. E foi exatamente com o foco na comunidade que o professor e os alunos se dedicaram ao levantamento de dados no propósito de pesquisar as preferências do consumidor da região de Jaboticabal em relação aos ovos. “Como é próprio do PET, pesquisamos, elaboramos o conteúdo e levamos para a comunidade com o objetivo de levantar os dados”, destaca Peruzzi. 

A pesquisa foi realizada entre novembro de 2016 e maio de 2017 e teve como objetivo analisar o perfil dos consumidores e seus interesses ao adquirir ovos, identificar suas preferências, hábitos e atitudes quanto à coloração da gema de ovos nos munícipios de Jaboticabal, Sertãozinho e Taquaritinga (SP). O trabalho envolveu todas as atividades necessárias para a produção de ovos, como a aquisição de aves, alojamento, formulação da dieta, manejo diário, entre outras ações que permitiram o aprendizado prático aos alunos envolvidos.

Para se chegar às colorações de gema, definidas em conjunto com a DSM, foram utilizados na dieta das aves os produtos CAROPHYLL® red 10% e CAROPHYLL® yellow 10%. Ao todo foram executadas três dietas (base milho e soja): uma sem adição do pigmento, na qual os ovos atingiram um máximo de cor igual a 7/8, utilizando como referência a escala do leque YolkFan™; a segunda com inclusão para obtenção da coloração 10/11; e a terceira dieta, a inclusão do produto para obter coloração 13/14, sempre considerando a coloração da gema no ovo cru.

Tendo os ovos em mãos, o grupo se preparou conscientemente para a aplicação do roteiro de entrevistas em conjunto com a degustação dos ovos. Para os alunos confirmarem a coloração da gema, contaram com a contribuição da mais nova tecnologia da DSM, o Digital YolkFan™. Com o equipamento houve maior precisão, rapidez e praticidade na obtenção da coloração da gema.

As entrevistas

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Pesquisa aplicada no centro de Sertãozinho (SP)

 

Foram entrevistados 417 consumidores, com idades entre 18 e 85 anos. Os resultados mostraram que mais de 85% dos entrevistados consideram o ovo um alimento de importância ou de muita importância para a alimentação.

A maioria (65%) consome essa proteína animal pelo menos duas vezes por semana, comprando entre uma e duas dúzias de ovos ao mês. O preparo é feito preferencialmente com o ovo frito (59,1%) e durante o almoço.

Os consumidores em geral (70,2%) compram ovos do tipo branco, preferencialmente em supermercados. Quanto aos critérios de decisão na hora da compra, destacaram-se a limpeza da casca, o prazo de validade e a cor da casca, não tendo importância a marca e o sistema de produção.  Já o preço foi considerado o quarto critério mais importante.

Tendo por objetivo avaliar se o consumidor sabe o que interfere na coloração da gema, a última questão trouxe que 57% dos entrevistados apontaram a nutrição das aves como principal fator que influencia na coloração da gema. Desses, 19% complementaram a resposta dizendo que a coloração da gema era resultado da utilização de hormônios e/ou medicamentos na alimentação das aves. Cerca de 20% do total não soube responder a essa questão e 10% acreditam que a genética seja fundamental para a alteração da cor da gema. Já os demais, apontaram respostas variadas.

A grande maioria dos entrevistados possui conhecimento sobre os fatores que podem influenciar na coloração da gema, mas ainda existe uma parte da população que acredita em conceitos e crenças populares, que erroneamente indicam a utilização de hormônio e que o ovo faz mal para a saúde.

Análise sensorial

Os entrevistados receberam, uma de cada vez, amostras de ovos cozidos preparados no local com as colorações de gema diferentes, e foram questionados sobre quatro características: a aparência geral, a coloração da gema, o sabor e a maciez.

A avaliação foi feita para cada amostra com base em uma escala de 1 a 5, sendo que a escala 1 é considerada muito ruim e a 5, muito bom.

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Em relação à coloração da gema, os ovos com colorações 10/11 e 13/14 tiveram as melhores avaliações. As gemas de tom laranja intenso (13/14) foram consideradas como boa ou muito boa por 71% dos entrevistados. Em relação aos ovos com coloração 10/11, 58% dos entrevistados avaliaram na mesma faixa de nota. Já os ovos de menor coloração tiveram certa insatisfação no geral, sendo que 60% das respostas estavam distribuídas entre muito ruim, ruim e indiferente.

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Quanto à aparência geral, foram obtidos valores próximos aos da coloração da gema, sendo um forte indicativo de que o consumidor associa aparência diretamente com a coloração da gema.

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O sabor e a maciez apresentaram-se sem diferença significativa, o que sugere que não houve associação de coloração com sabor ou maciez.

O ovo, o professor e o aluno

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Felipe Bossi e Nelson Peruzzi: desvendando os mitos do ovo

 

Trabalhando sempre em sintonia com a FCAV/UNESP, em Jaboticabal, o professor Nelson José Peruzzi ainda não havia se debruçado sobre o tema do ovo. Ele explica como foi atraído para esse universo, chegando a elaborar um trabalho importante como esse.

Professor Peruzzi sempre trabalhou utilizando a matemática para traduzir o mundo. No caso da pesquisa com o ovo, ele diz que aproveitou suas próprias dúvidas e questionamentos para buscar respostas na pesquisa. “Pensei, por que as pessoas acham que o frango tem hormônio ou que o ovo faz mal para a saúde? Esses mitos, que também aparecem na carne de suínos e de bovinos, devem ter uma raiz e merecem ser estudados. Então, começamos a buscar dados para elaborar nosso trabalho”, relembra Peruzzi.

Foi então que, ao participar de uma palestra sobre formulação de ração, em 2014, o professor ouviu falar pela primeira vez sobre a coloração da gema dos ovos. “Isso me despertou para o mito sobre o ovo branco e o ovo vermelho, a gema mais clara ou mais escura. Passei minha sugestão para o Felipe e ele gostou e ‘comprou’ a ideia.”

Baseado em farto material sobre a coloração da gema obtido junto à DSM, o estudante Felipe Henrique Bossi conduziu o trabalho no sentido de pigmentar as gemas e testar os resultados junto aos consumidores. Da pesquisa e experimentos iniciais surgiram oportunidades de apresentação do trabalho em eventos com repercussões positivas e até uma premiação no Congresso de Iniciação Científica da Unesp.

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Felipe Bossi e José Francisco Miranda: parceria

 

Em 2016, no Congresso de Produção e Comercialização de Ovos promovido pela APA, a Associação Paulista de Avicultura - o mais importante encontro do setor de postura comercial da América Latina -, realizado em Ribeirão Preto (SP), a equipe apresentou o trabalho que chamou a atenção do executivo José Francisco Miranda, gerente de marketing do produto CAROPHYLL® da DSM para a América Latina. Surgiu então a parceria que tornou possível a realização do trabalho de avaliação do perfil do consumidor da região de Jaboticabal como uma amostragem do consumidor brasileiro.

“Esse não é o primeiro projeto com o objetivo de compreender o consumidor de ovos que a DSM apoia”, destaca José Francisco. “Entendemos que para ser relevante, precisamos estar junto a todos os elos da cadeia produtiva e, por isso, incentivamos esse tipo de pesquisa, usamos muitas vezes as universidades como centros de excelência e referência em pesquisa e objetivamos informações relevantes à equipe DSM e a nossos clientes e parceiros. Considerando isso, o projeto da Unesp, liderado pelo Felipe, encaixou perfeitamente em nosso conceito e trouxe dados valiosos para todos". Com o projeto pronto, a pesquisa aplicada, os resultados analisados e o relatório finalizado, professor e aluno apresentaram os resultados à DSM e, na sequência, pretendem levar seus resultados ao cotidiano da população, aplicando-o como um projeto educacional.

Para o Prof. Peruzzi há uma lacuna de conhecimento sobre o ovo que precisa ser preenchida. É uma tarefa da universidade e, em particular, do grupo PET zootecnia, fornecer informações confiáveis e importantes à população para a desmitificação desse alimento tão importante para a saúde humana. “É também um trabalho de marketing do ovo”, diz ele, que viu o tema ser amplamente abordado em mais de uma edição do Congresso da APA. “É o que o Brasil precisa: o marketing do ovo feito com responsabilidade por aqueles que estão envolvidos na cadeia produtiva, da pesquisa à produção.”

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Pesquisa ouviu consumidores e traçou perfil

Felipe Henrique Bossi concorda e acrescenta: “O produtor de ovos deve procurar entender seu mercado consumidor, mesmo com pesquisas menores de menor investimento. Tentar entender o seu consumidor é cada vez mais importante pois o brasileiro deve se tornar mais exigente nos próximos anos e, com isso, aquele produtor que não se adequar aos novos tempos verá seus produtos serem substituídos por outros, melhores e mais de acordo com a qualidade exigida pelo mercado”. Para Felipe, que acompanhou todo o trabalho, o que mais lhe surpreendeu foi a relação que o consumidor mantém com o ovo, com critérios na hora de escolher o produto na compra. “Além da preferência absoluta pelas gemas mais laranja-avermelhadas, vi que o consumidor está preocupado com a limpeza dos ovos e a data de validade”. Para ele, são sinais importantes que devem merecer atenção da cadeia avícola. Ele mesmo confessa que, após adquirir mais conhecimento sobre o ovo por conta da pesquisa, teve seus critérios ampliados na hora de adquirir o produto. “Estou mais rigoroso como consumidor”, diz ele.

Como em todo trabalho, o aluno viu o conhecimento se transformar também em aprendizado na prática. Segundo Felipe, toda a equipe envolvida no projeto aprendeu, se surpreendeu e ganhou muito em experiência. “A responsabilidade compartilhada pelo grupo, a troca de experiências, o ensino e a capacitação foram determinantes na formação pessoal dos participantes. Não tenho dúvida de que quem participou dessa pesquisa saiu com uma experiência única que será levada para o cotidiano profissional”, acrescenta. E aproveita para destacar o trabalho da equipe e agradecer a todos: Ana Veronica Lino Dias, Gabriela Donegá Censão, Gabriel Caetano Ferreira, Gabriel Cantadeiro, Guilherme Henrique Silva, Joseane Penteado Rosa, Laura Guilardi Giroto, Mayara Andrioli e Phillip Marques Silva.

Mas o projeto de pesquisa não para por aí, garante Felipe. “A ideia é que o projeto de extensão continue sendo realizado, para que possamos devolver à comunidade sua contribuição com a pesquisa. Além disso, com a experiência positiva desse modelo de pesquisa, o grupo poderá buscar entender o perfil do consumidor de ovos em outras regiões”, ou seja, é a pesquisa gerando conhecimento, embasando novas soluções para a indústria fornecedora e, finalmente, alimentando novas ideias. É o encontro perfeito da academia com o mercado, impulsionando a avicultura brasileira.

(A HORA DO OVO. Fotos da pesquisa: equipe Programa de Educação Tutorial (PET) Zootecnia da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp de Jaboticabal (FCAV/UNESP). Fotos dos realizadores da pesquisa e de José Francisco Miranda: Teresa Godoy/A Hora do Ovo)

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