Prof. Ricardo de Albuquerque recebe homenagem durante Congresso da APA

Prof. Ricardo de Albuquerque recebe homenagem durante Congresso da APA

Prestes a se aposentar, o professor da USP foi surpreendido por uma homenagem de seus colegas, em março, em Ribeirão Preto (SP).

Ovonews

março 26, 2016

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Professora Cristiane e professor Ricardo: a placa em homenagem ao colega querido

 

Foi em março, no dia 15, bem na abertura oficial do Congresso da APA 2016. A surpresa foi anunciada pelo mestre de cerimônias e confirmada pelo colega Lucio Francelino Araújo, membro da comissão organizadora do Congresso.

Ele anunciou a professora Cristiane Araújo, professora do Departamento de Nutrição e Produção Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, de Pirassununga, portadora de uma homenagem dos colegas da instituição, onde o professor Ricardo Albuquerque também ministra aulas. Anunciando a aposentadoria de Albuquerque, Lúcio Araujo destacou o trabalho do professor e colega que, além de também ser membro da comissão organizadora do Congresso da APA, possui larga experiência na avicultura brasileira, setor no qual é muito estimado.

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Lucio Araújo: destaque para o amor à avicultura

Precedendo a homenagem lida por Cristiane, o também professor Lúcio Araujo falou em nome da Associação Paulista de Avicultura, lembrando a importância que têm os professores que despertam os alunos para uma área específica da medicina veterinária. No caso, disse Araujo, o professor Ricardo é um desses mestres que conquistaram alunos para a avicultura.

Convidando o homenageado ao palco, Cristiane leu o texto de Enrico Lippi Ortolani, colega e amigo de Ricardo, que traçou um panorama da vida do mestre, texto seguido de um vídeo preparado especialmente para homenagear o querido professor, emocionado e surpreso com a ocasião. Ele também recebeu uma placa, destacando a ocasião.

A professora Cristiane leu o seguinte texto:

“Nosso ilustre homenageado de hoje é uma das figuras mais singelas e representativas da avicultura nacional.

Ricardo de Albuquerque, filho de João Olímpio e Dona Áurea Coleta, nasceu na pacata cidade de Torrinha, bem no centro geográfico do Estado de São Paulo, no dia 22 de junho de 1955, e tem hoje seus 61 anos muito bem vividos.

Desde sua infância não negou sua origem e incorporou nos hábitos as virtudes e as boas maneiras do caboclo paulista. Seu sotaque é original, sua humildade e simplicidade ímpares, seu acolhimento e carinho com às pessoas que os circundam destacados.

Embora nascido em Torrinha, Ricardo se criou até os sete anos na Fazenda Santana, no município de Santa Maria da Serra. Na busca por melhores condições para sua crescente família Sr. João Olímpio decidiu se mudar para Itapetininga, também no Estado de São Paulo. O passado permaneceu em sua mente, pois no período letivo ficava em Itapeteninga, porém nas férias ia para a terra da sua infância: Santa Maria da Serra. Assim, levou sua vida até chegar a hora do cursinho.

A vida na fazenda, rodeado de animais, fez com que Ricardo tivesse a firme decisão de estudar veterinária. Para entrar numa boa faculdade, Ricardo saiu de sua zona de conforto e foi para Piracicaba se preparar para o vestibular. A comida apetitosa da Dona Áurea foi substituída pela gororoba da “República”. Foi um ano de sacrifício, mas altamente recompensado, pois se tornou calouro da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP em 1975.

Morar na cidade de São Paulo de início botava medo em Ricardo, mas aos poucos foi se acostumando com seu gigantismo e atrações e passou a curtiu a cidade, em especial os jogos do seu time do coração, o São Paulo Futebol Clube, no tradicional Estádio do Morumbi.  

Quando começou a Faculdade ficou desanimado com a aridez do curso básico, mas o tempo passou, o mar ficou menos agitado e, finalmente, foi fazer as disciplinas de área de Zootecnia, em Pirassununga. Por fim, se sentiu em casa e altamente estimulado, pois o cenário e o conteúdo aprendido lhe eram peculiares. Dentre as disciplinas oferecida uma era toda especial, a de avicultura, ministrada pelo experiente Professor Esleibe Ghion. Terminado esse semestre, um ano após, recebeu o tal almejado “canudo”, em julho de 1979.

Uma nova etapa na vida começava, a busca pelo emprego. Por ser eclético, Ricardo topava qualquer parada, menos trabalhar com clínica de cães e gatos, paragens para muitos de seus colegas de turma. Mas a sorte lhe sorriu e consegui uma vaga de “treineé” na Socil Pró-Pecuária S.A.. E adivinhem para trabalhar com quê? Integração de frango de corte.

Quando estava de vento em popa, devido a uma daquelas crises econômicas que afetaram a avicultura teve que terminar suas atividades, em fevereiro de 1982.

Interiorano que era buscou um emprego como professor de avicultura e suinocultura num Colégio Agrícola de Rio das Pedras, ao lado da cidade de Piracicaba, onde atuou no decorrer do ano de 1982. Ainda plugado aos professores de Pirassununga, soube de um concurso para auxiliar de ensino em avicultura aberto pela FMVZ. Se inscreveu, encantou o Professor Esleibe Ghion e foi o escolhido.

Começou suas atividades para valer em 7 de março de 1983. Agora, o jogo era jogado em alto nível, com responsabilidades bem maiores. Mas como velho marinheiro, Prof. Esleibe, além da segura orientação e apoio, foi aos poucos lhe oferecendo oportunidades de ministrar aulas para o curso de veterinária e para o recém-criado curso de zZootecnia da FMVZ. 

Após algum tempo, começou seu mestrado em nutrição animal, muito baseado em disciplinas voltadas para ruminantes, mas superou a onda e obteve seu mestrado, orientado pelo saudoso Prof. Cássio Xavier de Mendonça Júnior, em 19 de dezembro de 1988, com o tema Ações do Cloreto de Sódio, Óxido de Zinco, e Iodeto de Potássio em comparação com a Restrição Alimentar, sobre o Descanso Forçado em Galinhas Poedeiras e sua Produtividade.

Como não existia doutorado na época na nutrição animal, adiou um pouco o início de seu doutoramento. Prosseguiu bem mais tarde sua carreira acadêmica obtendo seu doutoramento em janeiro de 1995, no curso de epidemiologia experimental e aplicada ao controle de zoonoses, sendo orientado pela reconhecida Professora Nair Katayama Ito, trabalhando na sua tese denominada Estudo e Avaliação de Técnicas de Recuperação de Salmonella spp em Matérias Primas e Rações Comerciais Tratadas e não Tratadas com Ácidos Orgânicos.

Com o término de seu doutoramento, Professor Ricardo passa a ter maiores responsabilidades, principalmente após a aposentadoria de seu mentor e amigo Professor Esleibe Ghion. Assume o papel de liderança na área de avicultura e expande o setor com a construção de novos galpões experimentais de aves, o que aumenta o potencial para a pesquisa.

Em 13 de maio de 2005, Prof. Ricardo obteve seu título de livre docente em avicultura e em 2009 chegou ao ponto mais alto da carreira conseguindo se tornando professor titular.

Sua atuação como administrador também foi destacada atuando como chefe de Departamento por três anos e Prefeito Interino do Campus de Pirassununga por 23 meses.

Desde o início da carreira publicou 81 artigos científicos em revistas reconhecidas internacionais e nacionais; 20 trabalhos completos em anais de congressos e simpósios; 85 resumos em conclaves, editou 3 livros e escreveu 15 capítulos de livros. 

Albuquerque ajudou na formação acadêmica de muita gente por meio da orientação de 32 mestrandos e sete doutorandos, quatro bolsistas de iniciação científica, 16 orientações de trabalhos de conclusão de curso.

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Emocionado, professor Ricardo agradeceu a homenagem, e se disse surpreso

 

Professor Ricardo também se destacou na organização de eventos, capitaneando 10 Congressos científicos. Deve-se ressaltar sua iniciativa para o aumento de consumo de ovos, organizando cinco edições do Dia do Ovo. em que atraiu centenas de pessoas de Pirassununga e do seu entorno, em que o tema principal é a virtude nutricional e para nossa saúde dos “zolhudos”.

Albuquerque teve também seus dias de galã de TV, em que respondeu sete cartas no programa Globo Rural, logicamente sobre as curiosidades e problemas das galinhas e outras penosas. 

Seu carisma e atenção aos estudantes de graduação fez com que recebesse 13 homenagens especiais na formatura de graduandos de alunos da FMVA e da FZEA.

Muito mais que números, outras singularidades falam mais alto pelo Ricardo. Uma delas é sua capacidade de fazer amigos, quer seja pelo associativismo, quer seja jogando futebol, uma de suas paixões, quer seja ouvindo uma boa música, em especial os clássicos das canções sertanejas de raiz.

Dizem que seu fraco é uma cadelinha de nome Chiquinha que apareceu do nada na varanda de sua casa e que Ricardo a adotou e que hoje é sua amiga inseparável.

Reza o ditado que um homem se realiza por completo quando planta uma árvore, escreve um livro e tem um filho. Ricardo já passou por todas essas etapas. Plantou não apenas árvores, mas obras físicas que eternizarão seu trabalho; escreveu livros, formou muitas pessoas e deixa discípulos e, finalmente, tem sua herança perpetuada em seu filho Rodrigo, legado de uma vida de muito amor e trabalho!!"

Enrico Lippi Ortolani, colega e amigo de Ricardo - São Paulo 8/3/2016

(A Hora do Ovo, em cobertura no Congresso da APA 2016. Fotos: Teresa Godoy)

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