Produção de ovos cresce e estimula vendas nos carros de ovos na Bahia
Comercialização de ovos também tem o incremento da Rua do Ovo, localizada em Salvador; reportagens de jornais baianos mostram como funciona.
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| O carro do ovo na Bahia: preços que conquistam |
A produção de ovos no Brasil cresceu e, com ela, os diversos modos de comercialização do produto. Um desses “métodos” de vendas é o carro do ovo, veículo que, à maneira do carro da pamonha, sai pelas ruas divulgando a venda de ovos a preços promocionais.
Diversas reportagens apresentam esse modelo de vendas nas cidades brasileiras, especialmente na Bahia. O jornal Tribuna da Bahia trouxe, recentemente, uma reportagem sobre a Rua do Ovo, região de Salvador que se tornou referência pela reunião de empresas que vendem ovos.
Segundo a publicação, o comércio de porta em porta tem feito sucesso em diversos bairros de Salvador. Confira a reportagem de Adilson Fonseca, da Tribuna da Bahia.
“Na Rua do Ovo, no bairro de Valéria, periferia de Salvador, a movimentação começa no amanhecer do dia. Dezenas de carros particulares param na porta das casas e de lá saem carregados de caixas de ovos, que mais tarde vão ser revendidas nos diversos bairros da capital. O “carro do ovo”, ideia que nasceu anonimamente há menos de um ano e já se tornou marca registrada de comerciantes avulsos, já faz parte da rotina dos moradores, que compram o produto 20% mais barato que nos supermercados e feiras livres.
Como nasceu o carro do ovo ninguém sabe informar, mas que caiu no dia a dia da cidade é um consenso. Assim como o porquê da Rua George Bonete agora se chamar Rua do Ovo. A via, que é uma transversal que vai dar na localidade de Boca da Mata de Valéria, só é calçada em parte e abriga não só residências, mas pequenas oficinas mecânicas. Nos últimos meses, contudo, esses locais foram transformados também em depósitos de ovos, que abastecem dezenas de carros de comerciantes avulsos, que revendem os ovos nos bairros.
O proprietário de um desses depósitos é Daniel Ferreira dos Santos, que comercializa em média 200 caixas por dia. Cada caixa contém 36 dúzias de ovos, o que significa que diariamente o comerciante vende 7.200 dúzias, ou 86.400 ovos. “Dá para tirar um dinheirinho”, diz o comerciante. Segundo ele, a caixa de ovos chega a ser comprada a R$90,00 diretamente nas mãos do fornecedor, que fica localizado na cidade de Entre Rios, Região Norte do Estado, a 128 quilômetros de Salvador.
Assim como ele, outros moradores da Rua do Ovo, como ficou conhecida, também entraram no negócio, a exemplo do mecânico Robson Martins, que disse comercializar em média 20 caixas (72 mil ovos) por dia. “A gente só não comercializa mais por causa da ação de ladrões que atacam às primeiras horas da manhã e têm amedrontado os clientes e moradores”, disse. Segundo ele, a compra em larga escala é feita em mãos de intermediários, na Ceasa.
Alternativa
O autônomo Luis André Mendes de Jesus resolveu ir à luta e transformou o carro velho, de quase 20 anos de fabricação, em um mercado ambulante. Ele é um dos primeiros a chegar à Rua do Ovo, onde compra em média 15 caixas de ovos (540 dúzias) e vende toda a carga nos bairros do Subúrbio Ferroviário de Salvador pela manhã. Quando há disposição, repete a dose no turno da tarde.
Atraído pelo movimento, Tiago Miranda de Souza, morador do bairro de Plataforma, no subúrbio ferroviário de Salvador, também resolveu entrar no negócio para complementar a renda mensal. Ele já fez os cálculos e espera vender pelo menos 10 caixas de ovos (360 dúzias) por dia no bairro onde mora. “A procura é grande e o preço convidativo”, disse.
Para se ter uma ideia, nas feiras livres e supermercados o preço da dúzia de ovos não sai por menos de R$5,00. O quilo do frango congelado varia de R$ 8 a 10, e a carne de primeira ultrapassa os R$20,00 o quilo. “Quando a situação aperta e a geladeira fica vazia, o ovo tem sido a solução”, resumiu a dona de casa Maria Cristina de Jesus, assídua compradora semanal de ovos no bairro onde mora, em Pau da Lima.
Conforme os dados da Associação Baiana de Avicultura (ABA), a produção de ovos na Bahia aumentou 5,97% nos últimos seis meses. A produção no Estado se concentra nas regiões de Feira de Santana, onde estão algumas das grandes avícolas nacionais, Vitória da Conquista, Oeste, Extremo Sul e Norte do Estado.
De janeiro a junho deste ano, a Bahia produziu 23 milhões 586 mil dúzias de ovos a mais que no mesmo período do ano passado. Em 2015 a produção baiana foi de 22 milhões 256 mil dúzias de ovos. A Bahia, contudo, não figura entre os estados de maior produção e é abastecida com a produção de ovos que vem de outros estados, como São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, responsáveis por quase 80% do mercado produtor nacional.”
Em outra reportagem - Amado e odiado: famoso carro do ovo vem dividindo opiniões em Salvador - o jornal Metro 1 mostra a força de vendas dos carros do ovo e a polêmica que eles têm gerado junto à população e também à fiscalização. Na reportagem de Tácio Moreira, o Metro 1 detalha o dia a dia desse novo modo de vender ovos para a população.
“O famoso plantão da Globo, música gospel e até pagode, aliado à propaganda de “uma placa de ovos de galinha por apenas R$ 10”. Se você já ouviu esse jingle, certamente deve conhecer, ou pelo menos saber que circula por aí, o chamado “carro do ovo”. Ou seria melhor dizer “os carros do ovo”? No mínimo exótica, a estratégia de venda tem dividido opiniões por toda Salvador.
Enquanto uns comemoram o preço, bem mais em conta que nos tradicionais mercados, outros reclamam do barulho exageradamente alto e dos horários escolhidos pelos comerciantes, principalmente nos fins de semana. Para a Secretaria de Urbanismo (Sucom), a situação é errada do ponto de vista da poluição sonora e, por isso, três veículos foram autuados na última terça. Mas, gostando ou não, trata-se de uma daquelas coisas que são a cara de Salvador.
Disseminado pela cidade
Entre os que não gostam dos vendedores, a principal reclamação é a barulheira. Sejamos sinceros: por mais simpática que seja, a modalidade de venda causa tormento até mesmo a quem vive nos mais altos andares. “Morando no sétimo andar, consigo ouvir tudo perfeitamente”, conta Thiara Teixeira, moradora da Barra. Além do bairro, Imbuí, Cabula, Cidade Jardim, Candeal, Brotas, Armação, Vila Laura, Jardim Apipema, Boca do Rio e Pernambués são somente alguns dos locais por onde o carro do ovo acumula queixas.
Barulho incomoda, mas preço agrada maior parte dos consumidores
Apesar das opiniões divididas, uma coisa não dá para contestar: o preço é ainda mais atrativo que os criativos jingles. Vendendo uma cartela com 30 ovos a R$10,00, o carro do ovo põe no chinelo grandes mercados. Com o mesmo valor, o consumidor consegue levar, no máximo, 18 unidades do produto em grandes supermercados da capital baiana.
No Bompreço do Jardim Armação, por exemplo, o consumidor paga R$9,96 por uma embalagem com 18 ovos. O mesmo acontece no Extra, onde a bandeja com apenas 10 unidades sai a R$7,96. Entre a chateação e o preço atraente, as opiniões são as mais variadas. A empresária Laís Pinho “até dança” quando “começa a tocar a musiquinha” do ovo, mas a estudante Thiara insiste: “É muito alto”.
Sucom cita dificuldade na fiscalização
Somente nesta semana [a reportagem é de junho de 2016], a Secretaria de Urbanismo (Sucom) recebeu quatro denúncias de poluição sonora em relação à atividade e conseguiu realizar uma notificação. Porém, o agora ex-titular da pasta, Sílvio Pinheiro, pontua a dificuldade em realizar essas notificações. “Denúncia de carro é difícil de pegar em flagrante. Às vezes, as denúncias não chegam exatamente por isso. A fiscalização vai. Mas, se chegar lá e o carro não estiver, não tem como apreender”, explica. Devido às denúncias, a Sucom está analisando as medidas para notificar os responsáveis.
Mistério permanece sobre procedência dos ovos
Segundo os vendedores, os depósitos ficam no bairro de Valéria, mas nenhum dos comerciantes ouvidos soube detalhar de onde os ovos chegam. “Cada dono de depósito tem seus carros. É o mesmo valor em qualquer lugar”, disse um deles.
Questionada pela Metrópole, a Vigilância Sanitária se eximiu da tarefa de fiscalizar, empurrando a competência para a Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). Embora também negue ser responsável por acompanhar a legalidade da venda, a Adab negou que existam granjas legalizadas em Salvador e Região Metropolitana.
