Paralisação de caminhoneiros pode também paralisar cadeia avícola

Paralisação de caminhoneiros pode também paralisar cadeia avícola

No setor de corte ou postura, a preocupação é a mesma: como alimentar as aves para prosseguir abastecendo o mercado? Como escoar os ovos que não param de ser produzidos?

Ovonews

maio 24, 2018

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Paralisação de caminhões em 24 estados brasileiros afeta toda a cadeia avícola

 

A preocupação é geral no setor avícola: com a greve dos caminhoneiros que começou há três dias em 24 estados do país não chegam às granjas nem soja nem milho para a ração das aves; por sua vez, a postura de ovos, que não para, não tem como ser escoada para o mercado. Os avicultores de Bastos, região no Oeste Paulista que produz 60% dos ovos do Estado de São Paulo e mais de 20% da produção nacional, estão apreensivos, pois os insumos para a fabricação da ração não durarão muito tempo. Algumas granjas têm estoque, no máximo, para até segunda-feira. Outras, nem isso.

Em Minas Gerais, segundo maior produtor de ovos do Brasil, a situação também é muito preocupante, já que a Ceasa informou que não há mais ovos para serem vendidos no local. A Associação Comercial do Ceasa-MG (Acceasa) declarou, na manhã desta quinta-feira, dia 24 de maio, que os estoques de ovo e de batata no Ceasa chegaram ao fim.

O Ceasa de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (BA), já começa a sofrer desabastecimento. As bancas já começam a não ter produtos, entre eles, o ovo. Alguns comerciantes dizem que, caso os bloqueios de caminhões não terminem nesta quinta-feira (24), o estoque pode acabar nesta sexta-feira (25).

Em Pernambuco, muitos supermercados estão começando a limitar as vendas de produtos. A Associação Pernambucana de Supermercados (Apes) divulgou nota informando que os supermercados estão abastecidos para até o final desta semana. No Ceará ainda não há registro de falta de ovos, mas os produtos exportados do Sul e Sudeste não estão chegando ao estado.

Na capital São Paulo, o problema só aumenta. O pequeno empresário Marcos Nascimento da Silva, dono da distribuidora de ovos Irashai, na zona leste de São Paulo está preocupado com seus clientes, que são padarias, quitandas, mercadinhos e sacolões. "Só tenho 22 caixas de ovos e essa quantidade dá para quinta-feira, dia 24, até o meio-dia. Se não receber uma nova carga, na sexta-feira estarei zerado", disse.

Como faz três vezes por semana, na última quarta-feira ele ligou para a granja que lhe fornece os ovos, em Bastos, no interior de São Paulo, a 500 quilômetros da capital. Marcos queria encomendar uma carga de 50 caixas, cada uma com 30 dúzias do produto e foi informado que a mercadoria não será entregue. A granja informou que, por causa da greve, os caminhões não conseguem chegar à empresa para retirar a mercadoria.

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Estoque nas granjas, fim dos estoques no mercado

A Associação Brasileira de Proteína Animal, a ABPA, enviou nota à imprensa na qual alerta que, diferente da promessa feita no dia 23 de maio pelas lideranças dos caminhoneiros, ainda não houve a liberação das cargas vivas em vários pontos de parada do movimento de greve nas estradas.

“Recebemos relatos de produtores com caminhões transportando animais parados em bloqueios em todo o país.  Há casos de animais com mais de 50 horas sem alimentação”, alerta a diretoria da ABPA. “Também está travada em vários pontos a circulação de caminhões de ração, que levariam alimentos para os criatórios espalhados por pequenas propriedades dos polos de produção. A situação nas granjas produtoras é gravíssima, com falta de insumos e risco iminente de fome para os animais.”

A nota da entidade informa ainda que “a cadeia produtiva da avicultura e da suinocultura do país iniciou esta quinta-feira, dia 24 de maio, com 120 plantas frigoríficas paradas – produtoras de carne de frango, perus, suínos e outros.  Mais de 175 mil trabalhadores estão com atividades suspensas em todo o país.”

A ABPA alerta, ainda, que os danos ao sistema produtivo são graves e demandarão semanas até que se reestabeleça o ritmo normal em algumas unidades produtoras. “A ABPA, portanto, apela ao movimento dos caminhoneiros pelo cumprimento da promessa com a liberação do transporte de animais e rações em todos bloqueios, além da retirada mínima de produtos nas fábricas para a retomada da produção. Os protestos são justos, mas é preciso bom senso e evitar a perpetuação desta situação aos animais.”

(A Hora do Ovo, com informações da ABPA e imprensa nacional)

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