Nutrição das aves pode ficar sem vitaminas no início de 2018

Nutrição das aves pode ficar sem vitaminas no início de 2018

Causa foi o incêndio que paralisou unidade da multinacional alemã Basf, responsável por mais de 40% das vitaminas A e E produzidas no mundo, informa jornal Valor Econômico.

Ovonews

janeiro 02, 2018

0
../../arquivos/img/2018/1/1324_4161_conteudo_g.jpg
Setor de postura pode ser o mais atingido pela falta de vitaminas

Reportagem do jornal Valor Econômico que circulou no dia 26 de dezembro mostra que a dieta das aves pode ser impactada nos primeiros meses de 2018 por conta de falta de vitaminas essenciais. Tudo porque aconteceu um incêndio que paralisou uma unidade da multinacional alemã Basf, responsável por mais de 40% das vitaminas A e E produzidas no mundo. Com isso, segundo o jornal, os preços desses nutrientes dispararam, evidenciando um risco concreto de escassez, especialmente para os clientes que compram vitaminas no mercado spot (transações em que a entrega da mercadoria é imediata e o pagamento é feito à vista).

Segundo o jornal, desde o acidente, em 31 de outubro, o preço médio da vitamina A saltou de US$ 72,11 por quilo para US$ 433 por quilo, conforme revelou uma fonte do segmento que acompanha diariamente os preços dos nutrientes. “No caso da vitamina E, o preço médio subiu de US$ 4,56 por quilo em outubro para US$ 24,48 por quilo no início de dezembro”, diz a reportagem. "Estamos passando por uma situação de desabastecimento", afirmou ao Valor Rodrigo Silva Miguel, executivo que lidera as operações de premix (pré-mistura de vitaminas e minerais) da francesa Neovia no Brasil. Controlado pela central de cooperativas francesas InVivo, a Neovia é uma das maiores empresas de nutrição animal no planeta.

Na reportagem, Miguel informou que a indústria trabalha com estoques, mas que dificilmente eles serão suficientes para resistir ao período de paralisação da fábrica da Basf em Ludwigshafen, na Alemanha. “Por ora, a sinalização da multinacional é que a fábrica voltará a funcionar no fim de março, afirmou o vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), Ariovaldo Zani. Procurada pelo Valor Econômico, a Basf informou que só poderá reiniciar a produção das vitaminas quando o abastecimento de citral, composto químico orgânico utilizado na fabricação das duas vitaminas, for restabelecido. “Foi o incêndio na fábrica que produzia citral, aliás, que inviabilizou a produção de vitaminas da Basf”, destaca a reportagem e prossegue:

Devido ao incidente, a multinacional alemã acionou a cláusula de força maior para não cumprir os contratos de fornecimento. "O impacto da situação de Força Maior e seus efeitos para os clientes estão sendo avaliados no momento. Enquanto isso, a Basf está implementando medidas para restringir as consequências da situação", informou a empresa, em comunicado.

As vitaminas A e E são relevantes na dieta de aves e suínos. De acordo com o professor titular do departamento de zootecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), José Fernando Menten, aves e suínos precisam das vitaminas porque a dieta básica deles não supre a necessidade desses nutrientes. "Embora o milho e o farelo de soja, ou outros alimentos alternativos, tenham um ótimo valor nutricional, são relativamente pobres em vitaminas", explicou, por e-mail, ao Valor. Conforme o zootecnista, o crescimento rápido de aves e suínos também faz com que os animais tenham necessidade de vitaminas. Segundo Menten, a ausência da vitamina A reduz o apetite dos animais, o que pode afetar a taxa de crescimento. No Brasil, os frangos são engordados em pouco mais de 40 dias. Além disso, a escassez de vitamina A também pode levar à cegueira, ao ressecamento da córnea, à redução da resistência a infecções e problemas reprodutivos. No caso da vitamina E, a perda de apetite também é uma das possíveis consequências da escassez, de acordo com o professor da USP. Além disso, a função primordial dessa vitamina é antioxidante, contribuindo também para a "vida de prateleira" dos produtos, afirmou Menten.

Para grandes consumidores de ração - empresas como BRF e Seara, da JBS -, o impacto econômico da escassez de vitaminas não é relevante. Segundo estimativas do presidente de um dos maiores grupos de nutrição animal em atividade no Brasil, as vitaminas representam de 1% a 2% dos custos da ração - os grãos respondem pela maior parte. Com o aumento de preços, porém, o peso das vitaminas na ração pode ultrapassar 3,5%, disse essa fonte.

No setor, a avaliação é que consumidores que têm contratos de longo prazo com as chamadas premixeiras - companhias que misturam vitaminas e minerais - devem ser preservados da escassez. No entanto, aqueles que compram premix esporadicamente podem ser afetados. Segundo uma fonte, esse é o caso dos criadores de aves poedeiras. A maior parte deles compra os insumos no mercado spot. No caso dos criadores de aves e suínos, a taxa é menor - 20% e 35% adquirem no spot, respectivamente.

(A Hora do Ovo, com reportagem do jornal Valor Econômico. Foto: Teresa Godoy/A Hora do Ovo)

0 Comentários