Netto Alimentos prospecta mercado para ovoprodutos cage free
Em reunião com grandes empresas compradoras, a Netto Alimentos anunciou parceria com uma granja cage free para uma nova linha de ovoprodutos.
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| Roberto Bottura, diretor da APA, fala sobre a produção de ovos no Brasil, em apresentação para a Netto Alimentos |
Desde que instalou sua segunda unidade de produção em Iacri, no Oeste Paulista, a Netto Alimentos colocou em prática ações de um planejamento estratégico elaborado para expandir os negócios da empresa. Ele foi colocado em prática ainda no segundo semestre de 2016 e envolve desde o lançamento de novas linhas de produtos à prospecção de mercado para exportação. Assim, a empresa vive hoje um intenso movimento de treinamento de equipe de vendas para o varejo e atacado, participação em feiras de negócios no Brasil e no exterior, e nova linha de produtos, inclusive para o público fitness e atletas de alta performance (leia reportagens sobre a Netto Alimentos neste site: Netto Alimentos está na APAS Show 2017 e Netto Alimentos avança no mercado de ovoprodutos).
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| Fábrica da Netto Alimentos em Iacri (SP): a maior |
Desde o início das atividades da nova fábrica, a Netto Alimentos pode ser considerada, segundo seus proprietários – os irmãos Ricardo e Paulo Netto - a maior estrutura fabril de ovoprodutos do Brasil e uma das maiores da América Latina. E é também a primeira no Brasil a lançar ovos pasteurizados em embalagem Tetra Pak com tampa, uma novidade que exigiu grande investimento e faz toda a diferença em praticidade e durabilidade do produto pasteurizado e resfriado.
Parcerias com grandes produtores de ovos do Sul, Sudeste, Norte e Nordeste também estão na agenda da Netto Alimentos. A indústria já começou a envasar ovoprodutos para algumas granjas brasileiras que, assim, têm de maneira bem viável ovoprodutos com suas próprias marcas. É o caso das parcerias já firmadas com a Tijuca Alimentos, do Ceará; da Vitagema, do Rio Grande do Norte; e a Mastereggs, marca criada por um grupo de produtores do Rio Grande do Sul.
Ovoprodutos cage free
Mas as ações não param por aí: há um grande parceiro paulista que já decidiu instalar uma granja cage free (com aves criadas em galpões sem gaiolas) especialmente para fornecer para a Netto Alimentos atender a esse nicho de mercado.
Essa parceria com a granja cage free foi anunciada por Ricardo Netto em reunião que realizou com executivos de grandes redes de supermercados, indústrias de alimentos e restaurantes que estão interessados em produtos que atendam de maneira mais ampla a parâmetros de bem-estar animal.
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| Ricardo Netto, da Netto Alimentos, abre o encontro com empresários e representantes de entidades |
A reunião aconteceu no dia 18 de abril, na capital paulista, na sede da ABPA, a Associação Brasileira de Proteína Animal. Estiveram presentes representantes das empresas Bunge, Selmi, Barilla, Heinz, Arcos Dorados, Blomin´ Brands (dona das marcas Outback, Mexcla, Abbraccio e Fleming´s), Nova Agri e Carrefour, além de quatro executivos da rede de restaurantes Ráscal. Estiveram na reunião, também, o professor Jorge Mancini, da USP; a médica veterinária Miwa Yamamoto Miragliota, diretora técnico-científica da AVAL, a Associação de Avicultura Alternativa - e Fernanda Vieira, da HSI, a Humane Society International, entidade que defende o bem-estar animal. Estavam presentes, ainda, profissionais de empresas de nutrição e equipamentos para avicultura de postura comercial, além da jornalista Elenita Monteiro, da A Hora do Ovo, em cobertura exclusiva.
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| Empresários e líderes de entidades ligadas ao setor de bem-estar animal debatem temas durante encontro |
Todos assistiram à palestra do médico veterinário José Roberto Bottura, diretor técnico da APA, a Associação Paulista de Avicultura. Bottura apresentou em linhas gerais os aspectos positivos e negativos dos atuais sistemas de criação de poedeiras, como o convencional (californiano), os diversos sistemas automatizados, o cage free e o free range, em que não só a galinha vive fora de gaiolas como também pastoreia ao ar livre. A intenção da Netto Alimentos foi discutir amplamente a questão com as grandes empresas compradoras, algumas delas já comprometidas com a HSI Brasil em passar a comprar apenas ovos de aves livres de gaiolas a partir de 2025.
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| O empresário Ricardo Netto (à esquerda) recebeu convidados na sede da ABPA, em São Paulo |
Visando atender a essas empresas, Ricardo Netto já se antecipou em começar a estudar as possibilidades de criação de aves livres de gaiolas para ter uma parte de sua produção de ovoprodutos destinada a esse nicho. “Precisamos, dentro dessa nova realidade, encontrar soluções para a indústria de processamento de ovos para atender a esse mercado. E acreditamos que, dentro desse nicho, o melhor caminho seja o sistema cage free, com aves livres de gaiolas dentro de galpões fechados. Com esse sistema se consegue alojar aves em grande quantidade de maneira competitiva para a indústria, com certificação por órgãos de bem-estar, e com preços atraentes e competitivos para as grandes redes de restaurantes e também nas gôndolas dos supermercados”, salientou o empresário.
Dentro dessa perspectiva, o palestrante José Roberto Bottura apontou em suas conclusões comparando os sistemas de produção de ovos que o cage free é “a melhor solução até o momento, pois esse sistema atende ao bem-estar das aves e protege a sanidade do plantel nacional, já que as poedeiras não têm contato com as aves externas. Além disso, o cage free é mais viável economicamente, pois com ele pode-se adequar o custo de produção ao nível compatível com a realidade do poder aquisitivo do comprador, especialmente o consumidor final”.
Ao final da reunião com os executivos e os representantes da AVAL e da HSI Brasil, Ricardo Netto destacou que a preocupação da Netto Alimentos é atuar com seriedade na linha de ovoprodutos diferenciados para o consumidor que faz questão de ovos produzidos por aves livres de gaiola: “Não vamos oferecer um ´falso caipira´, uma marca fake. Ao anunciarmos que parte de nossos ovosprodutos serão produzidos com aves livres daqui há 18 meses, podem ter certeza de que assim será. Teremos um produto honesto, certificado, viável economicamente, e dentro dos nossos rígidos padrões de segurança alimentar que mantemos em todas as nossas linhas de produção”.
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