Raiar Orgânicos inova mais uma vez e traz a sexagem in ovo, pioneiramente, para a postura brasileira

Raiar Orgânicos inova mais uma vez e traz a sexagem in ovo, pioneiramente, para a postura brasileira

Líder em ovos orgânicos no país, a empresa traz a tecnologia da alemã AAT, e já tem, em seus aviários, o primeiro lote de pintainhas oriundas da primeira sexagem in ovo no Brasil.

Ovonews

julho 29, 2025

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Por Teresa Godoy

Já está nos aviários da Raiar Orgânicos, em Avaré (SP), o primeiro lote de pintainhas nascidas de ovos sexados com a tecnologia Cheggy, desenvolvida pela empresa alemã AAT (Actinia Animal Technology), uma subsidiária do grupo EW. A tecnologia foi anunciada em 28 de julho de 2025, na capital São Paulo, para jornalistas de grandes veículos da imprensa nacional, e A Hora do Ovo, convidada como mídia especializada em avicultura de postura.

RAIAR-LANCAMENTO
Encontro com a imprensa no lançamento da tecnologia Cheggy, em São Paulo


Estive lá, representando a nossa revista e site, ouvindo as palavras entusiasmadas do empresário Marcus Menoita, CEO da Raiar (foto no destaque) e um dos refletores da luz propagada pelo time comprometido dessa jovem empresa que não para de inovar. “Somos uma empresa irrequieta e com os mais altos patamares de transparência, gestão e bem-estar. Buscamos ativamente as melhores práticas e soluções do mercado para elevar, continuamente, o bem-estar animal na produção de ovos”, disse Menoita, abrindo a manhã com a novidade da sexagem in ovo da AAT, que inaugura um novo tempo na produção de pintainhas de postura no Brasil. “É o que há de mais eficaz e viável", disse ele, elogiando a tecnologia alemã, agora adotada pela Raiar, que passa a ser a primeira granja brasileira a oferecer ovos que passaram por essa tecnologia. O que só reforça sua pegada de sustentabilidade e bem-estar animal.

 COMO FUNCIONA A TECNOLOGIA

CHEGGY
Cheggy: tecnologia alemã para a sexagem in ovo


O equipamento Cheggy, desenvolvido pela empresa alemã é voltado especificamente para ovos produzidos por galinhas de linhagem marrom e já é utilizado em países da Europa e nos Estados Unidos. Ao adotar a tecnologia, a Raiar marca a estreia da Cheggy no Hemisfério Sul. No encontro com os jornalistas e convidados, Jörg Hurlin, diretor geral da AAT, explicou em detalhes a tecnologia desenvolvida para identificar e separar os ovos férteis com embriões do sexo masculino.

Segundo o engenheiro e fundador da empresa alemã, essa tecnologia vem sendo desenvolvida há mais de 20 anos. "Foi um longo caminho desde a ideia até a consolidação do equipamento. Trabalhamos para garantir precisão e segurança. Hoje, temos 12 máquinas em operação na Europa e começamos a atuar nos Estados Unidos em 2023. Agora, o Brasil se torna o primeiro país do hemisfério sul a contar com essa inovação", disse Hurlin, também entusiasmado com a implementação da tecnologia no Brasil, país que se destaca no cenário avícola global e é centro das principais inovações do setor também na América Latina.

JORG-HURLIN
Jörg Hurlin, da AAT: feliz com a chegada da Cheggy ao Brasil


A Cheggy utiliza uma câmera hiperespectral que captura imagens em diferentes comprimentos de onda da luz, permitindo identificar o sexo com base na cor da penugem embrionária: marrons para fêmeas e brancas para machos. O processo não é invasivo, ou seja, o interior do ovo não é perfurado nem manipulado, preservando totalmente o embrião. “Já processamos mais de 200 milhões de ovos na Europa e estamos preparados para operar em escala no Brasil”, destacou Hurlin. A capacidade da máquina escolhida pela Raiar é de 6.000 ovos/hora (manual), mas há outras duas opções, uma para 25.000 ovos/hora (semi-automática) e outra para 45.000 ovos/hora (linha dupla, totalmente automatizada).

A iniciativa da Raiar Orgânicos de optar pela sexagem in ovo e, assim, ampliar seu portfólio, é um marco na história da avicultura de postura brasileira e tem como principal objetivo elevar o bem-estar animal na cadeia produtiva, eliminando o descarte de pintinhos machos após o nascimento. Para Marcus Menoita a adoção da Cheggy é mais que uma decisão empresarial, é a expressão clara de uma filosofia inquieta que caracteriza a empresa desde seu nascimento. “Foi sempre assim: onde todo mundo põe um ponto final em algumas questões, alguns desafios, algumas adversidades, nós, da Raiar, sempre colocamos uma vírgula”, declarou Menoita, explicando a capacidade da empresa em enxergar muito além do ponto final.

MARCOS-MENOITA
Marcus Menoita, da Raiar: uma vírgula no lugar do ponto


No encontro realizado no charmoso Le Jazz Boulangerie, em Pinheiros, na capital paulista, as palavras de Menoita soaram recheadas do propósito que a Raiar sempre põe sobre tudo que faz. O CEO falou apaixonadamente sobre esse novo passo que a produtora de ovos orgânicos traz para somar às inovações que inaugurou a partir de 2020, quando passou a operar no mercado de ovos orgânicos no Brasil. “Sempre estivemos comprometidos com práticas sustentáveis e com o bem-estar animal. A chegada da Cheggy ao Brasil representa um avanço não apenas para a nossa produção, mas para todo o setor”, afirmou o CEO. “E é importante dizer que se trata de uma tecnologia única no Brasil, na América do Sul e no Hemisfério Sul. Nenhuma empresa ousou fazer o que estamos fazendo no Hemisfério Sul. Então, é sim, um marco empresarial para a nossa companhia e um marco para o segmento de avicultura de postura.”
   

COM O CHEGGY, A RAIAR REFORÇA SEU COMPROMISSO COM O BEM-ESTAR ANIMAL E AMPLIA A SUSTENTABILIDADE NA AVICULTURA ORGÂNICA BRASILEIRA 

“Hoje é um dia realmente especial, que queremos também celebrar com vocês, porque temos a primeira máquina de sexagem in ovo no Brasil”, fez questão de salientar Jörg Hurlin, da AAT. Em suas palavras estavam a celebração de mais uma conquista sedimentada por um trabalho de muitos anos de pesquisa. “O desenvolvimento de uma tecnologia é uma jornada muito longa desde a ideia inicial até o produto pronto. São muitos passos, testes com protótipos, às vezes retrocessos e tivemos várias tentativas até desenvolver um equipamento tão técnico, e isso exigiu bastante tempo. Trabalhamos em estreita colaboração com universidades e outros institutos para obter informações científicas, e temos uma rede bastante sólida para isso. Também apoiamos incubatórios e parceiros como a Lohmann e a Hy-Line, ao redor do mundo. E agora estamos aqui no Brasil, e isso é realmente algo grande e muito importante”, salientou Hurlin, também muito entusiasmado.

Não é à toa. A tecnologia dá um grande passo rumo ao fim do descarte dos pintinhos machos, ampliando o debate de uma das questões mais sensíveis do segmento de postura. “Essa é uma preocupação global, porque não existe um mercado consolidado para esses pintinhos machos, que não servem ao setor de carne nem ao setor de ovos”, explicou o CEO da AAT. “Esse, na verdade, é o próximo grande passo de transformação mundial, depois do início da mudança dos aviários com gaiolas para os sistemas livres de gaiolas”. Essa tecnologia in ovo, segundo ele, é a chave para uma mudança que ele vê emergir nos mercados orgânicos e caipiras, inclusive nos Estados Unidos.

Na coletiva de imprensa, foi destacado que a adoção da tecnologia representa um salto ético e tecnológico e está especialmente alinhado aos princípios da Raiar Orgânicos. Segundo Menoita, a empresa já vinha se preparando há anos para trazer ao país uma solução que fosse viável do ponto de vista técnico e alinhada aos seus pilares. A parceria da Raiar com a AAT, especializada em automação para incubatórios, selou esse propósito com base na tecnologia e no bem-estar animal.  

No Brasil, a tecnologia está em operação em Nova Granada (SP), no incubatório da Hy-Line, que também pertence ao Grupo EW, empresa irmã da AAT e que cedeu o espaço para o equipamento. As aves, por sua vez, são da linhagem Lohmann Brown, da casa genética Lohmann do Brasil, outra empresa que integra o grupo alemão EW. Na Raiar, as aves são cem por cento Lohmann Brown. 

Os ovos do primeiro lote de pintainhas da Raiar já liberado pela primeira sexagem in ovo seguem para o mercado em dezembro deste ano.  

UMA RESPOSTA ÉTICA PARA UM ANTIGO DILEMA DA AVICULTURA 

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Sexagem in ovo: tecnologia atende somente ovos de aves de linhagem vermelha


A sexagem in ovo surge como uma solução para uma das questões mais sensíveis da cadeia de postura comercial: o descarte dos pintinhos machos, gerando um dilema ético para produtores e consumidores. Com a Cheggy, os embriões machos podem ser identificados nos ovos durante a operação da máquina e, então, são retirados antes do nascimento.

Ricos em proteína, esses ovos retirados são destinados à produção de ração animal para aquicultura ou pet food. Assim, o que seria um pintinho se transforma em um subproduto valioso. 

A tecnologia, por enquanto, atende apenas as linhagens marrons, como as utilizadas na produção de ovos orgânicos e caipiras. Linhagens brancas, em que machos e fêmeas têm penugem semelhante, ainda não podem ser sexadas com esse método. Mas o avanço atual já representa uma mudança significativa no cenário da avicultura brasileira. 

Para a Raiar, trazer essa inovação ao país não é apenas um diferencial competitivo; é um compromisso com a evolução da cadeia produtiva, com a transparência diante dos consumidores e com o respeito às aves. “Acreditamos numa produção de ovos que respeita a vida em todas as suas fases. Com a Cheggy, estamos mostrando que é possível produzir com ética, qualidade e inovação”, finalizou Menoita. 

A decisão da Raiar por adotar a tecnologia é voluntária e, apesar do pioneirismo, a empresa não terá exclusividade no uso do equipamento. A intenção, segundo o executivo, é impulsionar o setor a seguir o mesmo caminho, à medida e ao ritmo de cada granja.    

RAIAR, PAIXÃO E PROPÓSITO 

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Time Raiar com Jörg Hurlin e Johanna Werneke, da AAT: parceria com o bem-estar animal


A decisão da Raiar em adotar a Cheggy reflete sua filosofia de "pôr uma vírgula" onde muitos colocam um ponto final. Menoita destacou o espírito inconformista da empresa, que desde sua fundação, há cinco anos, tem desafiado paradigmas. 
Esse pioneirismo se estende a outras iniciativas da Raiar, que já investiu R$180 milhões em infraestrutura e tecnologias, com mais R$70 milhões previstos para os próximos dois anos. A empresa conta hoje com um plantel de 400 mil aves e tem como meta chegar a 2 milhões de aves 100% orgânicas em alguns anos, na medida da demanda do mercado.

Na linha do pioneirismo, foi a primeira na América do Sul a implementar o Jump Start, sistema aviário da Vencomatic que incentiva o desenvolvimento muscular e o comportamento natural das aves. Também avançou com o uso em ovos orgânicos do crack-detector no equipamento da Yamasa para identificar microfissuras na casca e, ainda, foi pioneira na impressão da marca da empresa e da data de postura (e não da embalagem) diretamente na casca dos ovos. 

“São ações que, juntas, vão explicando a nossa cultura, a nossa vontade, o nosso inconformismo. Já nascemos inconformados”, frisou Menoita. “Na Raiar há uma paixão com muito entusiasmo. A Raiar é um projeto empresarial, mas é um projeto de vida nosso, dos fundadores e dos nossos sócios investidores. Hoje, a empresa conta 60 sócios investidores. Estamos naquele caminho que escolhemos estar, nós somos uma empresa apaixonada, uma empresa que tem uma vontade empresarial, um propósito imenso de transformar o orgânico possível para todos, e em todas as proteínas. É daí que vem esse entusiasmo por compartilhar com vocês a chegada de mais essa tecnologia”, expressou-se o executivo à imprensa e aos convidados na manhã do dia 28 de julho.

Por tudo isso, quando perguntam a qualquer um dos integrantes desse time Raiar se eles fazem “aquele orgânico como antigamente”, eles não têm dúvida em responder:

“Não, fazemos o orgânico como futuramente. E é para lá que estamos indo.”

(Teresa Godoy – texto e fotos do lançamento em São Paulo. Foto no destaque: divulgação Raiar Orgânicos)

 

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