Na COP30, ABPA mostra que a proteína animal brasileira é peça-chave na sustentabilidade e segurança alimentar do planeta
Presidente da entidade mostra que o Brasil é capaz de produzir de forma sustentável e garantir comida acessível para milhões de pessoas no mundo.
Durante sua participação na COP30, em Belém (PA), no dia 20 de novembro, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, reforçou uma mensagem que vem ganhando espaço nos debates internacionais: o Brasil é hoje um dos países mais capazes de produzir proteína animal de forma sustentável e, ao mesmo tempo, garantir comida acessível para milhões de pessoas no mundo.
A apresentação aconteceu no setor AgriZone da Conferência, área dedicada às soluções agrícolas de baixa emissão. Com números, exemplos concretos e uma boa dose de realismo sobre os desafios da segurança alimentar global, Santin mostrou que frango, suíno e ovos produzidos no Brasil já não são apenas commodities competitivas; são ativos ambientais e sociais.
“Produzimos comida de maneira sustentável. E temos capacidade de aumentar essa produção sem agredir o meio ambiente”, destacou Santin.
O presidente da ABPA lembrou que o Brasil chega à COP30 com um diferencial difícil de ignorar: usa menos terra, preserva mais e converte alimento com mais eficiência que muitos concorrentes internacionais.
A base dessa vantagem está em três pilares, basicamente: o sistema de integração, que envolve milhares de famílias rurais e garante padronização, rastreabilidade e cuidado direto com os animais; a eficiência produtiva, que permite maior volume de alimentos com menos recursos naturais; a saúde e biosseguridade animal, que o presidente da ABPA chama de sustentabilidade invisível”, aquela que não aparece aos olhos do consumidor, mas que mantém os rebanhos sadios, evita desperdícios e reduz emissões ao impedir perdas.
Para ilustrar, Santin lembrou que o Brasil opera uma das menores pegadas de carbono do mundo na produção de frango. A primeira comparação internacional, feita ainda em 2008 pelo governo do Reino Unido, já mostrava vantagem brasileira. Hoje, com dados atualizados, a diferença permanece: produção eficiente, uso consolidado da terra e grãos vindos de regiões sem necessidade de desmatamento fazem a conta ambiental fechar.
ENERGIA LIMPA, GESTÃO DE RESÍDUOS E TECNOLOGIA
O presidente da ABPA apresentou na COP 30 uma série de exemplos que hoje compõem o retrato moderno do setor. O que antes parecia discurso virou prática diária. Ele demonstrou, em gráficos e slides ao público do evento, os seguintes dados e resultados que já fazem parte do dia a dia da produção brasileira de proteína animal. É a tarefa sendo feita na prática.
Granjas e cooperativas com biogás substituindo lenha e reduzindo em até 75% o consumo energético.
Plantas industriais usando inteligência artificial para evitar desperdício de alimentos na linha de produção.
Produtores que convertem lixo orgânico em energia, como a Copacol, com 15 mil toneladas/ano reaproveitadas.
Sistemas híbridos capazes de gerar mais de 5 MW de energia limpa.
Uso amplo de energia fotovoltaica, que já alcança de 60% a 85% dos produtores integrados de algumas empresas.
Reservas ambientais próprias e programas de recuperação de nascentes e manejo do solo.
Todas essas ações, diferentes entre si, mas conectadas por um mesmo objetivo, reforçam que a sustentabilidade no setor de proteína animal deixou de ser promessa e virou cultura de negócio.
SEM SEGURANÇA ALIMENTAR NÃO EXISTE FUTURO CLIMÁTICO
A fala de Santin bateu firme em um ponto crucial, muitas vezes esquecido em reuniões climáticas: a agenda ambiental não sobrevive se a agenda da comida falhar.
No mundo, segundo ele, a produção total de alimentos já seria suficiente. O problema está no acesso e no desperdício. Há tecnologia, há eficiência, há capacidade produtiva. Mas ainda há milhões de pessoas sem dieta adequada. E é aí que entra o Brasil e sua produção.
“Não existe futuro climático equilibrado se as pessoas não tiverem o que comer”, disse. A proteína animal, afirmou Santin, é um dos meios mais eficientes para garantir nutrientes essenciais, desde os nove aminoácidos indispensáveis até vitaminas e minerais difíceis de obter de outras fontes em países de baixa renda. Em muitos lugares, a questão não é modelo de produção, mas sim ter ou não ter acesso à comida.
EXPORTAÇÃO QUE FINANCIA ACESSO AO ALIMENTO NO BRASIL
O presidente da ABPA também lembrou que a exportação tem função social. Quando o Brasil exporta mais, ganha escala, reduz custo fixo por unidade produzida e, consequentemente, torna barato o alimento para o consumidor brasileiro.
É uma engrenagem que funciona para dentro e para fora: gera divisas — R$ 26 bilhões para a balança comercial neste ano — e mantém preços mais acessíveis ao mercado interno.
A lista de destinos reforça esse papel: frango, suíno e ovos brasileiros chegam a mais de 160 países, muitos deles com baixa capacidade de produção e alto risco de insegurança alimentar.
Santin também alertou para o impacto humano de barreiras comerciais aplicadas sob pretextos sanitários ou ambientais sem base técnica. Citou o caso de um país que, mesmo enfrentando casos de influenza aviária internamente, fechou as portas ao produto brasileiro, que seguia livre da doença. O resultado foi imediato: alta de preços e redução da dieta de famílias pobres.
“Não pode haver fronteira para os alimentos”, afirmou. E reforçou que a cooperação internacional precisa prevalecer sobre discursos protecionistas travestidos de preocupação ambiental.
BRASIL PRONTO PARA LIDERAR
Ao final de sua participação na conferência do clima, Santin deixou claro o recado da ABPA para a COP30: o Brasil quer, e pode, ser líder mundial em produção sustentável de proteína animal.
Com tecnologia, ciência, ambiência, bem-estar dos animais, eficiência energética e sistemas produtivos maduros, o país já opera entre os melhores do mundo. O que precisa, agora, é de reconhecimento internacional baseado em dados atualizados, e não em metodologias ultrapassadas.
“Quando produzimos mais com menos e com responsabilidade, ajudamos o Brasil e ajudamos o mundo.”
A fala se encerrou com a síntese perfeita do que o setor pretende entregar: alimentos acessíveis, sustentáveis e capazes de sustentar uma população global que não para de crescer.
(A HORA DO OVO, em cobertura on line sobre a participação de Ricardo Santin, pela ABPA, na COP 30. Foto: print da conferência por Teresa Godoy)
tag: COP 30 , ABPA , Ricardo Santin ,