Diogo Ito assume a direção geral da primeira estrutura de produção da Hendrix Genetics no Japão
O zootecnista brasileiro é o indicado da casa genética holandesa para coordenar a instalação da estrutura inédita de produção da Hendrix Genetics no Japão.
Por Elenita Monteiro
A Hora do Ovo já deu notícias muito importantes ao longo de seus 28 anos de circulação, mas essa é das mais especiais. O zootecnista Diogo Ito, um de nossos leitores desde sempre e que cresceu profissionalmente junto com a nossa história de jornalismo especializado em avicultura de postura, está a poucos “passos” de ver sua sólida carreira atingir um patamar muito especial. Ele é o indicado pela Hendrix Genetics para coordenar a operação de instalação no Japão da mais nova estrutura de produção que atenderá o mercado japonês.
A decisão do grupo holandês em instalar a Granja de Avós em território japonês foi muito bem estudada e preparada e, de certa forma, impulsionada por alguns surtos de influenza aviária ao redor do mundo. Com os surtos, o envio de pintainhas para os matrizeiros japoneses enfrentou barreiras, interrompendo ou prejudicando negócios da Hendrix Genetics. Atualmente as matrizes que vão para lá são geralmente exportadas da Europa e, eventualmente, até do Brasil, em uma necessidade.
Para impulsionar os negócios naquela região do mundo – em especial o forte mercado japonês – a decisão não poderia ser outra: a Granja de Avós das linhagens das poedeiras já está com espaço reservado e em obras na província de Shizuoka. Diogo Ito será o general manager - o diretor geral – da operação, missão para a qual o tempo de trabalho o tem preparado, pois desde que se formou em zootecnia em 1999 pela Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), campus de Pirassununga da USP, sempre atuou na avicultura. Nasceu em uma família com raízes fincadas no setor. Sua mãe é da Família Saito, da Granja Saito, de Ibiúna (SP), que fez história por décadas no Brasil.
Casada com um comerciante do ramo de vendas de hortifruti, mudou-se de Ibiuna e não atuou na granja, mas dois de seus filhos se tornaram expoentes como profissionais dedicados à avicultura. Ricardo Ito formou-se em medicina veterinária, e depois Diogo, em zootecnia. Ambos apoiaram o tio Shigemasa Saito e outros familiares da Granja Saito, onde tanto aprenderam como ensinaram.
Diogo diz que, inicialmente, resistente à ideia de atuar na avicultura como seus familiares devido a seu olhar mais abrangente da zootecnia, chegou à conclusão de que tudo aconteceu de forma correta e oportuna diante do desafio que tem hoje pela frente. Afinal, veio de uma cultura familiar impregnada pela avicultura, criado em um universo onde também a filosofia de vida, modo de agir no trabalho e interagir na sociedade sempre teve a forte influência japonesa dos avós e da forma nipo-brasileira dos tios e pais.
PARA O OUTRO LADO DO MUNDO
Diogo visitou o Japão pela primeira vez na adolescência, aos 14 anos. E retornou para lá adulto há alguns meses, já com sua esposa Letícia para, juntos, conhecerem a região de Hamamatsu, um possível local de moradia do casal. Sua esposa também tem ascendência japonesa e ele gostaria que estudassem juntos a possibilidade de adaptação dela à nova vida. Sim, ele já havia recebido o convite para a mudança de status dentro da estrutura da Hendrix Genetics internacional e considerava fundamental incluir a esposa na decisão.
Formada em design e disposta a interessar-se por outras áreas no Japão – inclusive aprimorar-se na delicada e primorosa arte do Amigurimi (feitura de bonecos de tricô ou crochê, geralmente com formas de animais ou personagens, muito populares e adorados por pessoas de todas as idades), Letícia abraçou junto com o marido o desafio de mudar para o outro lado do mundo e experimentar vida nova, numa das cidades mais “brasileiras” do Japão, pois lá residem muitos “dekasseguis” (trabalhadores estrangeiros), brasileiros cujos pais ou avós emigraram para o Japão, fazendo o caminho inverso de seus ascendentes.
O OVO NO JAPÃO
Como a unidade avozeira a ser inaugurada pela Hendrix Genetics está sendo preparada próxima a Hamamatsu, os planos estão bem favoráveis para o casal. É com essa expectativa e também com um misto de ansiedade para a nova jornada e a discrição de sempre, que o reconhecido profissional Diogo Ito se prepara para se despedir do Brasil e ajudar a avicultura de postura japonesa a ganhar ainda mais corpo, qualidade e quantidade.
Como se sabe, o consumo do ovo pelo povo japonês é alto e eles são bastante exigentes com o produto, que entra em refeições diversas. E é comum encontrar no mercado ovos vendidos em unidades já cozidos ou em formas diversas para lanches rápidos. Sem ovo o japonês definitivamente não vive. Para os brasileiros pode ser estranho, mas a criança japonesa se acostuma e adora um ovo cru misturado ao típico arroz oriental, o gohan, ainda quente. É o tamago kake gohan, uma iguaria para o paladar japonês. Inclusive muitas crianças nascidas no Brasil em famílias de imigrantes japoneses guardam esse hábito e adoram.
Sendo assim, o ovo servido no arquipélago japonês precisa ter alta qualidade, ser vendido bem fresco e ser bonito e saboroso. Ou seja, produzir com alta qualidade e resistência e em grande quantidade com plantéis de aves com o DNA da Hendrix Genetics - levando ainda mais prosperidade ao mercado avícola do país - é o desafio que o zootecnista Diogo Ito assumiu. Tarefa para a qual ele está mais do que qualificado. Não somente por seus conhecimentos técnicos e prática na avicultura, como também por seu senso de alta responsabilidade e capacidade de adaptação. E, claro, pelo rigor de assumir uma tarefa só quando pode cumpri-la, e cumpri-la à risca, pois é isso o que o mercado brasileiro da postura comercial o viu fazer desde que começou na atividade há 25 anos.
Fluente em inglês e com o idioma japonês básico e em aperfeiçoamento, Diogo deve assumir o cargo de “gerente geral da Operação Japão” – como ele chama essa nova missão profissional – depois de concluir tarefas já assumidas, como participar da Festa do Ovo de Bastos, em julho. Ele faz questão, pois tem com Bastos uma relação profissional muito importante. “Participar da Festa do Ovo é minha última missão no Brasil”, disse-me Diogo na entrevista.
O zootecnista tem especial apreço pelo evento tradicional de Bastos - o mais tradicional da avicultura brasileira -, pois desde que passou a atuar em grandes empresas que atendem a postura comercial brasileira, como técnico da Nutron (nutrição animal), da Zoetis (vacinas) e, finalmente na genética, com a Hendrix Brasil - a grande comunidade formada por avicultores do município o acolheu, apoiou e lhe ensinou a aprender ainda mais.
E ele lembrou na entrevista à A Hora do Ovo: dos 25 anos de atividade como zootecnista, 15 deles foram atendendo a comunidade de avicultores de Bastos, o que ele considera um privilégio porque o preparou profissionalmente para diversos desafios, o fez aprender mais, a conviver de maneira produtiva com os avicultores e técnicos avícolas de diversos perfis. “Sou muito grato pelo aprendizado e acolhimento da comunidade de Bastos e negociei com a Hendrix Genetics que manterei contato com Bastos para continuar aprendendo e – sempre que possível – ensinando. Sinto que não devo perder esse vínculo construído e pretendo voltar em eventos e manter-me à disposição dos avicultores brasileiros para troca de ideias e esclarecimentos técnicos que eu puder dar, mesmo à distância. Me esforçarei em realizar um excelente trabalho por lá para que os granjeiros brasileiros possam nos visitar e possamos mostrar tecnologias, tendências e atividades que os auxiliem na evolução de seus negócios.”
E fez à jornalista um pedido: que este texto tivesse um agradecimento especial dele à Socel, a empresa de representação de produtos para avicultura do casal Fábio Arai e Silvia Miyagui Arai, que o apoiou desde que iniciou os trabalhos com avicultores de Bastos e região, quando ele ainda atuava pela empresa de vacinas Zoetis. “Eles me proporcionaram um ambiente de Família em Bastos, ajudando meu trabalho de integração com os avicultores, que também, com o tempo, foram fazendo parte desse ambiente de amizade e troca de conhecimentos que muito me fortaleceu como profissional. Não quero perder isso de vista e estar apoiando a todos, mesmo à distância”.
Não à toa, a partida para o Japão deve ser apenas no final de agosto: “Minha última missão no Brasil antes de ir ao Japão é participar da Festa do Ovo de Bastos 2025”. E ao final dessa entrevista disse uma frase bonita e com sentimento genuíno: “Parto para o Japão como quem volta a ser granjeiro. É com esse espírito que estou indo”.
Eu, como jornalista, senti ali o espírito da lendária japonesa Satoshi Saito, imigrante, matriarca da Granja Saito, em Ibiúna, para onde fui em um dia dos anos 1990 para assistir a uma cerimônia linda: uma missa de agradecimento às poedeiras. Era uma cerimônia budista que Saito San fazia questão de realizar uma vez ao ano. Foi poesia pura ver o sentimento de gratidão daquela família que enriquecera com a produção de ovos, mas que não esquecia que seu tesouro era a generosidade da produção incansável das poedeiras. Vivi para ver isso e agora vivo para ver seu neto Diogo fazer o caminho de volta ao Japão, também ele com a missão de levantar uma obra em que as poedeiras serão as estrelas.
Sim, a diretoria da Hendrix Genetics Internacional presidida por Thijs Hendrix escolheu o homem certo para a tarefa desafiante que vem pela frente. O Brasil se despede, o Japão agradece.
UMA MISSÃO QUE ORGULHA O TIME HENDRIX
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A ida de Diogo Ito para o Japão em nome da Hendrix Genetics é motivo de muito orgulho para o time da empresa. É o que expressa Flavio Henrique Araujo Silva, diretor Regional de Vendas para as Américas e gerente geral da Hendrix Genetics no Brasil. Flavio diz que a “exportação” de profissionais brasileiros para outros países atende às necessidades do mercado global e demonstra que o Brasil é um celeiro de muitos bons profissionais.Flavio conta que o zootecnista Diogo Ito é uma referência também para ele desde os tempos de universidade, quando já se conheciam. “O Diogo sempre foi muito competente, muito dedicado, muito inteligente. E dentro da Hendrix, ele realmente é uma referência, tanto no Brasil quanto globalmente”, destaca o diretor, lembrando que o zootecnista brasileiro vai se desenvolver com sucesso também nessa função da maior responsabilidade em um projeto novo. “E eles confiarem isso a um brasileiro é algo extremamente impactante”, ressalta.
Flavio comenta, ainda, a cultura japonesa trazida na raiz da família de Diogo, o que, segundo ele, vai facilitar a adaptação do brasileiro ao país. E seu apreço pela organização e pela qualidade do trabalho vai ser muito bom para a Hendrix no Japão.
“Diante disso, todos nós, da equipe da Hendrix, ficamos muito felizes e orgulhosos do trabalho que vem sendo feito com a gestão de talentos, com as pessoas tendo oportunidades de crescer dentro da empresa. Esse é um lema que a empresa preza e nós estamos bem alinhados com isso.”
(Fotos: divulgação Hendrix Genetics)
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